Fantasmas

Ao longe, do outro lado do rio, Palmela.
Na alameda de ciprestes, homens de um lado, mulheres do outro. Eles e elas, serviçais. Ao fundo, os pilares da sabedoria. Lá dentro, à direita, a brancura singular e incólume de um friso em mármore, desafiando o salitre que devora os frescos. Ainda à direita, a descida. Na cripta, um altar subterrâneo. À sua volta, um percurso quadrangular. Nos corredores, a luz tremeluzente dos círios e das velas revela uma brancura inesperada... Nuvem de cálcio ou de salitre?
Cá fora, o céu, limpo e imperturbável, permanece azul, enquanto o vértice da pirâmide continua a apontar para o inatingível...
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