Rua Onze . Blog

Julho 03 2009

 

Bilhete postal do primeiro quartel do século XX representando uma das danças tradicionais efectuadas durante a coroação do imperador do Japão.

 

"Estou no Japão, como vês; ratices d'estas, (refiro-me ao papel), só aqui se encontram. Recebi em Nagazaki muitas cartas tuas e uma da Emilia com o retrato da filha; seria impossivel responder a tudo por junto, e vou-me referir aos pontos principais.

 

(...)

 

Para te falar do Japão, dir-te-hei que, pelo que por ora conheço, acho-o lindo, encantador. Aqui passaria feliz o resto dos meus dias. Veremos o resto, Kobe e Yokohama, que ainda devemos visitar.

 

Que linda vegetação! que adoraveis passeios! que gente tão agradavel! que mulheres tão sympathicas! terra para gente nova, feliz e endinheirada, esta Nagazaki. Os costumes são dos mais estranhos: – quando se entra em casa, deixão-se os sapatos á porta; nas casas não ha mobilia, e só esteiras sobre que a gente se senta; nos quartos de banho publicos homens e mulheres tomam o seu banho á vista de quem passa... e sem sombra de camisola!... etc., etc.; é conversa isto do Japão, para quando nos tornarmos a vêr.

 

Continuarei sempre escrevendo; estou regularmente de saude, e nada mais ha a contar-te"

 

Excertos de uma carta endereçada a sua irmã Francisca Adriana Palmira (datas desconhecidas), enviada de Nagasaki e datada de 9 de Agosto de 1889.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 16:00

Julho 02 2009

 

Macau, c. 1936.

 

"Vou vivendo como sempre, sem novidade. Agora com frio, porque chegou o inverno a Macau; inverno mais rigoroso que o de Lisboa, muito mais humido, muito mais triste, e que se sente muito mais, por se succeder a um verão de escaldar. No entanto, ha dias, poucos, lindos."

 

Excerto de uma carta endereçada a sua irmã Emília Regina Perpétua de Moraes (?-1905), enviada de Macau e datada de 23 de Novembro de 1888.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 16:00

Julho 01 2009

Última fotografia conhecida de Wenceslau de Moraes, registada em Maio de 1929.

 

A correspondência de Wenceslau de Moraes (1854-1929) tem vindo a ser divulgada regularmente desde o seu falecimento (cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/117595.html), com particular destaque para as Cartas do Japão, publicadas por Armando Martins Janeira (1914-1988) na década de 1970.

 

Contudo, as edições das décadas de 1930 e 1940, que não têm sido alvo de reedição, contêm dados particularmente interessantes sobre o autor e a sua bibliografia. De entre essas, as Cartas Íntimas, publicadas em 1944, apresentam particular interesse.

 

Não pelas indiscrições da eventual intimidade romântica ou amorosa que o título pode sugerir, pois são cartas dirigidas a irmãs, cunhados e sobrinhos, mas pela simplicidade genuína de vulgares textos epistolares que não se destinavam à divulgação editorial e retratam o quotidiano de Moraes sem qualquer artificialismo ou pretensão literária.

 

São ainda particularmente curiosas por retratarem a estadia do autor em Macau e no Japão sem nunca deixarem transparecer quaisquer detalhes sobre a sua vida íntima, os seus amores, as suas relações conjugais, ou os seus filhos.

 

Ao longo de todo este mês transcrever-se-ão pequenos excertos de algumas dessas cartas, procurando revelar detalhes da vivência de Moraes relacionados com a sua descoberta pessoal do Oriente em paralelo com a sua visão, e o seu distanciamento, de Portugal.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 23:56

Maio 11 2009

 

O percurso literário e biográfico de Lafcadio Hearn (1850-1904) apresenta alguns paralelismos com o de Wenceslau de Moraes (1854-1929).

 

Ambos escreveram sobre a China e sobre o Japão, ambos se deixaram seduzir pelo Japão, ambos desposaram consortes japonesas.

 

Do mesmo modo que Moraes é praticamente ignorado em língua inglesa, Hearn é praticamente ignorado em língua portuguesa. Contudo, ambos são considerados pelos literatos japoneses como duas das grandes autoridades ocidentais sobre o Japão, referindo Wenceslau a obra de Hearn com grande admiração.

 

Em Portugal apenas há registo de duas traduções recentes e antológicas da obra de Hearn – O Japão: Uma Antologia de Escritos sobre o País (2005) e O Japão: Uma Antologia de Escritos sobre as Gentes (2006) e nenhum registo de traduções da sua obra ficcional.

 

No Brasil, apenas se regista a tradução, também recente (2006), de Kwaidan (1903), obra que foi adaptada para o cinema em 1964 (Kaidan; cf. http://www.imdb.com/title/tt0058279/), por Masaki Kobayashi (1916-1996). 

 

Para homenagear Lafcadio Hearn, o R11B decidiu ensaiar a tradução de um pequeno conto do autor, The Soul of the Great Bell, incluído em Some Chinese Ghosts (1887), que será publicada a partir de hoje. O texto em Inglês que serviu de base à tradução é de uma edição de 1927 (New York: The Modern Library Publishers), podendo-se consultar uma edição de 1906 em: http://www.archive.org/stream/somechinese00hearrich.

 

Embora o conto seja breve, a tradução para Português apresenta obstáculos particulares dada a intencional predominância de aliterações e de significativos valores onomatopaicos, essenciais ao ritmo e à sonoridade da narrativa original em Inglês, factos que se poderão reflectir na fluência da tradução proposta.

 

Kottō (1902)

 

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