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Rua Onze . Blog

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

Correspondência de Wenceslau de Moraes (V)

blogdaruanove, 07.07.09

 

"Muito desejoso de satisfazer o teu apetite, confesso-te no entanto que a coisa é difficil: os bilhetes que mando á Chica foram comprados no Japão, estão a acabar, e em Macau não se encontram; com respeito a papel japonez, tambem o melhor foi adquirido no Japão; em Macau ha algum, mas não agora, pois todas as lojas de quinquilharias se fecharam, em consequencia da peste que aqui está reinando, como deves saber pelos jornaes.

 

Chegou isto a tal ponto, que é já um problema difficil o saber-se onde se ha-de ir comprar um kilo de batatas; Macau está quasi deserto. Voltando ao assumpto, para te ser agradavel tanto quanto possivel, faço um volume de algum papel que reservava para mim, junto-lhe um resto de bilhetinhos, e mando-te tudo como amostra registada. Ficas contente?"

 

Excerto de uma carta endereçada a sua irmã Emília Regina Perpétua de Moraes (?-1905), enviada de Macau e datada de 04 de Junho de 1895.

 

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Correspondência de Wenceslau de Moraes (II)

blogdaruanove, 02.07.09

 

Macau, c. 1936.

 

"Vou vivendo como sempre, sem novidade. Agora com frio, porque chegou o inverno a Macau; inverno mais rigoroso que o de Lisboa, muito mais humido, muito mais triste, e que se sente muito mais, por se succeder a um verão de escaldar. No entanto, ha dias, poucos, lindos."

 

Excerto de uma carta endereçada a sua irmã Emília Regina Perpétua de Moraes (?-1905), enviada de Macau e datada de 23 de Novembro de 1888.

 

 

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Correspondência de Wenceslau de Moraes (I)

blogdaruanove, 01.07.09

Última fotografia conhecida de Wenceslau de Moraes, registada em Maio de 1929.

 

A correspondência de Wenceslau de Moraes (1854-1929) tem vindo a ser divulgada regularmente desde o seu falecimento (cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/117595.html), com particular destaque para as Cartas do Japão, publicadas por Armando Martins Janeira (1914-1988) na década de 1970.

 

Contudo, as edições das décadas de 1930 e 1940, que não têm sido alvo de reedição, contêm dados particularmente interessantes sobre o autor e a sua bibliografia. De entre essas, as Cartas Íntimas, publicadas em 1944, apresentam particular interesse.

 

Não pelas indiscrições da eventual intimidade romântica ou amorosa que o título pode sugerir, pois são cartas dirigidas a irmãs, cunhados e sobrinhos, mas pela simplicidade genuína de vulgares textos epistolares que não se destinavam à divulgação editorial e retratam o quotidiano de Moraes sem qualquer artificialismo ou pretensão literária.

 

São ainda particularmente curiosas por retratarem a estadia do autor em Macau e no Japão sem nunca deixarem transparecer quaisquer detalhes sobre a sua vida íntima, os seus amores, as suas relações conjugais, ou os seus filhos.

 

Ao longo de todo este mês transcrever-se-ão pequenos excertos de algumas dessas cartas, procurando revelar detalhes da vivência de Moraes relacionados com a sua descoberta pessoal do Oriente em paralelo com a sua visão, e o seu distanciamento, de Portugal.

 

 

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