Rua Onze . Blog

Abril 13 2009

Taça em esmalte policromado escorrido. Primeiro quartel do século XX.

 

Fundada em 1798, em França, a fábrica Longwy celebrizou-se nas últimas décadas do século XIX através da decoração a esmalte cloisonné e do acabamento craquelé do vidrado.

 

O craquelé evocava a antiguidade das envelhecidas peças de faiança e o esmalte cloisonné a técnica homónima das peças orientais em metal. Foi precisamente através das decorações orientalizantes que a fábrica expandiu o seu prestígio, o qual se veio a elevar durante o período Art Déco e atingiu então expressão maior dentro desse estilo.

 

A técnica cloisonné celebrizada por Longwy não era, no entanto, exclusiva desta fábrica, que encontrou grande concorrente na quantidade e qualidade do design da fábrica belga Boch Frères (Keramis), também ela expoente maior na produção de cerâmica Art Déco.

 

Na faiança, o cloisonné caracteriza-se pela decoração com esmalte policromático, em relevo, sendo as cores envolvidas por linhas mate que funcionam como separadores de esmalte durante a cozedura das peças, num processo reminiscente da velha técnica de corda-seca na azulejaria. 

 

O vidrado escorrido, como aquele que se apresenta na taça ilustrada, não era comum na produção da fábrica, que ainda hoje continua a insistir na onerosa técnica de decoração em cloisonné.

 

Para observar uma outra peça Longwy, com decoração floral tipicamente Art Déco, veja http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/52840.html. Para um conhecimento mais aprofundado da história e da produção da fábrica, consulte: http://www.emauxdelongwy.com/boutique/liste_rayons.cfm?code_lg=lg_fr.

 

Jarra Art Déco com decoração cloisonné sobre esmalte azul craquelé.

Década de 1920 ou 1930.

 

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publicado por blogdaruanove às 17:58

Março 02 2009

Taça em cerâmica, com decoração a esmalte policromado e ouro, produzida na fábrica Longwy, França.

Década de 1920 ou 1930.

 

A designação Art Déco surgiu e consolidou-se ao longo da década de 1960, considerando os historiadores de arte ser a Exposition des Arts Décoratifs de Paris, em 1925, a exposição que consagra a viragem do estilo Arte Nova para o estilo Art Déco, cuja designação resulta precisamente da abreviatura Arts Décoratifs.

 

O estilo Art Déco veio consagrar uma estilização floral que abandonava muita da ostensivamente exagerada curvilinearidade do estilo Arte Nova, em favor de uma estilização que ora geometrizava as flores ora as tornava mais abstractas, tendendo a aumentar as suas dimensões relativas.

 

Como se pode observar nas peças cerâmicas aqui reproduzidas, o estilo não abandonava totalmente as influências orientalizantes, o que se torna mais evidente na peça de Charles Catteau, a qual, para além de evocar  o craquelé típico das antigas peças de cerâmica oriental, também visível na peça de Longwy, evoca ainda, inequivocamente, o glamour do amarelo imperial.

 

Cigarreira em prata, de punção portuguesa, com a seguinte inscrição no interior: "(...) / Oferta da / Ourivesaria da Guia / 1932".

 

O tratamento geometrizante da Arte Nova de Charles R. Mackintosh (1868-1938) e da Wiener Werkstätte veio a ser repensado e depurado através dos mestres e discípulos da Bauhaus, surgindo então peças decorativas que aliavam materiais inovadores, como a baquelite, o alumínio e o ferro cromado, a outros metais e minerais considerados nobres.

 

Pendente em platina, com esmeraldas e brilhantes, de punção portuguesa anterior a 1938.

 

O contributo português para este movimento passou essencialmente pelo modernismo da arquitectura, mas é também visível em várias peças de joalharia que, contudo não deixam de fazer concessão a influências de séculos anteriores.

 

Este aspecto é particularmente visível no lacinho do pendente aqui reproduzido, inserido numa figura que geometriza e evoca claramente uma flor de papiro. Pormenor que poderá remeter para toda a influência decorrente da descoberta do túmulo e das riquezas de Tuthankamon. (Veja-se ilustração de inspiração similar em: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/15108.html.)

 

Sublinhe-se, contudo, que, a nível internacional, o reconhecimento maior foi atingido pelos escultores Canto da Maia (1890-1981) e João da Silva (1880-1960; cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/85920.html), os quais também viram muitas das suas criações transpostas para cerâmica, bem como pelo arquitecto e designer de interiores, de origem austríaca, Franz Torka (1888-1953), que emigrou para Portugal no final da década de 1920 e colaborou durante vários anos com a Casa Alcobia.

 

 

Jarra em cerâmica, com decoração a esmalte policromado desenhada por Charles Catteau (1880-1966), produzida na fábrica Boch Frères- Keramis, Bélgica. Cerca de 1923.

 

Para mais alguns apontamentos sobre Art Déco, poderá consultar: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/15977.html e http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/15831.html.

 

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