Rua Onze . Blog

Fevereiro 05 2009

 

Pequena máscara de parede (16,5 x 9,5 cm), de região não identificada (provavelmente, Angola), com vestígios de revestimento em verniz.

Primeira metade do século XX.

 

   "Os indígenas [do Bailundo, Angola] são especialistas em curiosos trabalhos de arte gentílica: manipanços originais; esculturas reproduzindo indivíduos, pássaros e animais; pequeninas bocetas, canilhas, cachimbos, e bugigangas de mil feitios, que devéras tentam o indígena europeu.

 

   Interessante de fixar, sôbretudo, o agudíssimo sentido caricatural que imprimem a certas figuras de madeira, em cujos traços é fácil descobrir feições do missionário americano, ou de qualquer autoridade que lhes desagradou. Bastante interessantes estas colecções, umas vezes de graciosos monos, outras apuradas de linhas, especialmente quando reproduzem pássaros pernaltas ou gazelas, que êles recortam, delicadamente, apenas com tosco canivete.

 

   Continuo a notar que a arte que mais interessa  ao negro é a escultura e o bailado; tem vaga concepção da pintura, apenas exteriorizada nalgumas tatuagens, mas possue apurado instinto decorativo, duma grande sobriedade e harmonia, onde os principais motivos são os animais e as plantas, em desenhos duma grande ingenuidade como os ornatos das quindas, pentes, cabaças e outros objectos de seu uso doméstico.

 

   Os ingleses, e ultimamente os franceses, teem enriquecido os seus museus e colecções particulares com magníficos trabalhos de etnografia e arte colonial. Lamento que o interessantíssimo problema da arte gentílica seja uma coisa quási desconhecida em Portugal."

 

in Julião Quintinha (1885-1968), Africa Misteriosa (Volume I; data de publicação impressa no volume, 1928; data de publicação referida na nota final, 1929), pp. 292-293.

 

Pormenor de um bastão em madeira e marfim (90,3 cm), de região não identificada (provavelmente, Angola).

Segunda metade do século XX. 

Note-se a caricaturização do perfil europeu, numa peça artesanal destinada certamente à comercialização urbana.

 

   As doações que ao longo das últimas décadas passaram a integrar o acervo do Museu Nacional de Etnologia (http://www.mnetnologia-ipmuseus.pt/Coleccao.html) e as recolhas, metódicas e significativas,  das colecções da Universidade de Coimbra (http://www1.ci.uc.pt/sdp/prospecto/0203/museus/museu2.html), antecedendo em muitas décadas o texto de Julião Quintinha, consubstanciam uma realidade diferente daquela que o autor regista no último parágrafo.

 

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publicado por blogdaruanove às 18:04

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