Rua Onze . Blog

Março 13 2009

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"[...] / menos cauta e o dito gado que alem deste perigo experimentão / o de descerem por pesimos caminhos mal praticados nas ditas / rochas com risco de se despenharem para a parte de baixo e não / menos de serem mortos pelas pedras que continuamente desa- / bão da parte superior acrescendo mais para complemento de todo o / mal ser indispensavelmente [?] levarem os donos ou pastores grandes / gamellas chamadas taguras, e haverem de as encher de / agoa com calmões [?], que são as cuias daquelle pais e isto por / não ser possivel fazer tanque ou receptaculos para o gado beber / em grande numero de que se segue terem alguns de esperar / vinte e quatro horas para lhes chigar o seu torno depois do que / como lhes seja perciso caminharem duas ou mais legoas / para hirem a seus respectivos montados, he sem duvida que / não bebem todos os dias porem como estão criados nisto / suportao dois [rasura] e tres dias sem beberem o que não / farão outros quaesquer.

Enquanto aos creadores e pastores que percisamente hao de estar / com os seus gados todo o dito tempo tanto pelo monte acima ponde- / rado rompelo ainda mais porque das fabricas das Manteigas he / certo que terião de experimentar ou o incomado de passarem [...] / [...] tempo ja dito [...] os seus gados, ou perderem quoti- / dianamente meio dia [...] tão cansado, e perigoso como fica ponde / rado; porem valendo se de huma industria, que a Providencia / lhes facelitta e vem a ser que como pelas despenhadas rochas que formão / os covões por onde correm as aguas das chuvas e que impropriamente / chamao nesta Ilha ribeiras nasção Figueiras bravas, como estas / [...], a maior parte [...] das ditas [...] fica-lhes [final de página e de documento conhecido]"

 

 

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publicado por blogdaruanove às 17:24

Março 12 2009

Photo © http://polemikos.com/?p=235

 

 "[...] / tanto esta como todas as mais Ilhas sejão assim d'aquella / dita parte do Sul, em razão da falta de chuva que alli sem- / pre se experimenta.

Considerando que a prodigiosa quantidade desta materia / que se vê espalhada por cima do terreno desta Ilha, e a / muita mais que se perdeo pelo mar e não menos o volume dos / [rasura]  montes de que dimanou e que hé imcomparavelmente / menor do que a dita materia, considerando-se isto digo he / impossivel deixar de concluir que esta Ilha tem grandes [...] sobterra / nios, cuja descripção porem pertence ao Padre Kirker, ou a  outro semilhante sabio das Sciencias Occultas e não a mim que / tão somente posso afirmar concordar a experiencia. com esta con- / jectura, pois que há [...] haver varios sitios, onde hindo / a cavallo se conhece pella troada, [...] finos cascos dos cavallos / haver vão por baixo, como tambem tem demonstrado outras / experiencias, que [...] lugar [rasura] referirei.

A metade desta Ilha da parte do Sul como já fica dito / he [...] para pastagens em tempo de agoas em razão de des- / viarem os gados das sementeiras, que se costumão e devem fazer / neste dito tempo na outra metade da Ilha da parte do Norte, que / hé a mais apta para produçoens de sementes; isto em razão de serem / ali as chuvas mais abundantes ou menos raras que na outra do / sul; em ambas porem experimentão tanto os moradores / como os gados o maior de todos os incommados com a falta / total de agoa, que em todo o seu terreno há e tão somente se acha / nativa na raiz da alta rocha, que a [...] termina; porem junto ao / mar e tão junto, que succede muitas vezes arrebatar a gente / [...]"

 

 

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Março 11 2009

Photo © http://polemikos.com/?p=235

 

"[...] / metalica, e derretida, que de cima do dito monte desceo athe ao mar / enchendo humas das mais largas e porfundas ribeiras, que nesta / Ilha havia chamada da Baléa [?], e cobrindo grande porção de / terreno como ainda hoje se vê , e se verá athe ao fim do mundo; / por que depois de fria se converteo a dita materia em huma especie / de pedra inepta para produção alguma e rija como ferro, de / cuja qualidade partecipo.

Junto deste monte se acha outro muito menor [rasura] o / qual rebentou em Março de 1769. e lançou outra torrente de / semilhante materia, que esteve a correr perto de 15 dias, e como / isto sucedese da parte desta Ilha, que fica fronteira á de Santi / ago [rasura] tal era o clarão, que esta recebia, que de noite facilmente / se lia huma carta nas praias de que se avista aquela. Esta / torrente formou huma ponta sahida ao mar mais de / 30 braças, e com mais de 10 de altura a qual se chama a Ponta / da queimada nova. Perto da [...], e principalmente / nos labios da abertura do monte, que a expellio, se acha / grande copia de enxofre; porem os habitantes tem / medo de o hirem tirar ao dito monte, tanto pela fresca me / moria da sua irrupção, como pela vizinhança do grande / Volcão, que quando rebentou ferio a muitos e matou a algu / ns com as pedras que disparou.

Alem destes há outros muitos que deitarão as ditas / torrentes, as quais cobrirão grande porção do terreno / desta Ilha principalmente da parte do Sul; em cujo sitio [?] / porem não [...] falta senão aos pastos do gado; porque / [...]"

 

 

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Março 10 2009

 

Photo © http://www.flickr.com/photos/seaurchin/3344616540/

 

"Discripção da Ilha do Fogo aliás / de S. Felippe.

 

Tem esta Ilha quasi 5 leguas de comprimento de Norte / a Sul, e quatro e hum terço de maior largura de Ocidente para Oriente, / a qualidade do terreno he de boa terra porem com pouca per- / fundidade athe encontrar rocha viva de pedra negra e de qua / lidade ferrea a qual se vê cortada a pique com altura de 20 bra- / ças pouco mais ou menos em quasi todo o seu limite formando porem / algumas pequenas praias de areal que facelitão o desembarque; / por cujo motivo se chamão Portos de Lombas [?], os quais todos se divisão / na sua planta com os seus respectivos nomes. O terreno superior / da dita rocha que forma o extremo limite desta Ilha, começa / d'aqui a subir arrebatadamente a formar a serra que circunda o Volcão / chamado Rio do Fogo, cujo cume he mais illevado que a superficie / do mar hum quarto de legoa Portuguesa isto hé sete mil e duzentos / palmos. Este Volcão porem não deitou sempre fogo, como o / Ethena Mongibello Esda e outros muitos, mas só rebentou / pela primeira e ultima vez em 1740 com pouca differença procedendo / grandes e repetidos terremotos a dita irrupção que levou pelos ares / o cume mais alto do monte e depois entrou a despedir de si / grande numero de pedras pomas, e area negra como escoria / de ferro e com tal impeto que chigou que chigou [sic] esta a cahir como / chuva no Tarrafal da Ilha de S. Thiago que dista deste monte / quatorze legoas: depois do que começou a sahir da boca que com / a dita irrupção se lhe abrio huma torrente de materia quasi = [...]"

 

 

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Março 09 2009

Photo © http://www.flickr.com/photos/k0cash/3256465815/

 

As erupções na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, têm sido documentadas regularmente desde a descoberta oficial do arquipélago, no século XV. A partir do século XVIII os registos passaram a ser mais detalhados, permitindo assim o estabelecimento de uma historiografia fidedigna da actividade vulcânica na ilha.

Um desses relatos encontra-se na relação das Ilhas de Cabo Verde, escrita em 1783 por João da Silva Feijó (1760-1824), o qual também voltou a registar, pouco depois, os aspectos da erupção ocorrida a 24 de Janeiro de 1785.

Pelo seu interesse e por se tratar de um documento provavelmente contemporâneo dos relatos de Feijó, ou mesmo anterior, reproduzir-se-á durante esta semana um manuscrito  incompleto, de quatro páginas, intitulado Discripção da Ilha do Fogo, aliás de S. Fellipe, de autor não identificado. Embora não apresente qualquer data, o documento será datável de 1769-1785, visto referir como mais recente a erupção de 1769 e não a de 1785.

Conforme se depreende da referência efectuada na primeira página, o manuscrito incluiria ainda uma ou várias plantas da ilha, que não foram localizadas ou identificadas. Registe-se que a marca de água do papel é de Nicolo Bruzzo.

 

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publicado por blogdaruanove às 22:19

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