Rua Onze . Blog

Julho 06 2009

 

Nunca me ocorreria, há anos atrás, considerar uma carta dactilografada como algo de muito íntimo e pessoal. Mas hoje, quando passo semanas e semanas sem escrever um postal que seja, e muito menos qualquer carta, daquelas que ainda levam selo e se metem num marco de correio e são consideradas raridade pelos carteiros, recebo estas cartas dactilografadas que me chegam de longe e sinto um conforto que há muito não sentia.

 

Depois de uma primeira leitura, verifico cuidadosamente cada folha de papel, à procura das gralhas encobertas pelo corrector, das letras manuscritas a esferográfica, dos vestígios de calor humano, do que fica por dizer nas entrelinhas do palimpsesto. Com as mãos sobre o papel, fecho os olhos, acariciando-o. E então, perco-me. Perco-me num outro universo, nos seus pequenos mundos, nas suas reentrâncias, onde sinto mais do que penso, acabando por descobrir que as palavras deixaram de ter qualquer sentido.

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 23:04
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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...
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