Rua Onze . Blog

Agosto 14 2009

Gravura inglesa publicada em 1838.

 

"Comecei a divisar por entre os álamos da estrada as agulhas da 'Batalha' ao cair da tarde [de Julho], já quando o sol arrefecido pouco mais era do que uma braza a extinguir-se em ténue poeira de cinzas avermelhadas. Pouco depois, alumiado por esta claridade prestigiosa, que lhe deixava a base envolta em fulvas penumbras, levantava-se o monumento no mais encantador dos seus aspectos, sôltas pelas abóbadas, presas nos cardos dos espigões, cingidas às arestas dos muros, as rendas de pedra que o enfeitam. A luz do sol poente inflamava essas rendas, recortando lhes [sic] os desenhos em fundos esmaltados: matiz de ouro sôbre ouro, frágeis relevos preciosos, subtilizados por mudanças sucessivas de efeitos fulgurantes...

 

Não me puz a desembainhar estoques de crítico para retalhar convenientemente a sensação recebida: contemplei emquanto [sic] durou o crepúsculo e depois sopeei a impaciência na leitura dos 'Lusíadas', esperando a hora em que, alta já a lua, o sacristão iria mostrar-me os claustros.

 

Levantou-se a lua pelas transparências esverdeadas do horizonte que parecia recuar lentamente, já cêrca da meia noite, no absoluto silêncio onde tudo caíra em redor do povoado. Aguardara a aparição da luz fantasmática no alto de uma colina que melhor vista dá sôbre o monumento: sombra mossiça [sic] ouriçada de sombras agudas, tomando à claridade incerta das estrêlas relevos de um instante, logo absorvidos por outras sombras mais vagas. O luar bafejou o grande corocheu de poeira alvacenta, como o primeiro, frio reflexo da aurora, mas prontamente se fêz opalino e mais penetrante, insinuando-se nos lavores das agulhas, dos lírios de pedra que ameiam as cornijas, nas teias de frisos que arripiam a superfície das paredes e mergulhando, por fim, na tinta opaca em que se condensava o interior dos claustros, libertou das trevas tôda aquela maravilha e como que a refundiu em espumas de prata fina...

 

Em noites tais a vista não se detem na rude forma natural das coisas, mas passa-as à alma que as transfigura e, luar ainda mais doce, mais fecundo, mais íntimo, as devolve, repassadas de poesia, puras subjectivações, enlevo de imaginação, orgulho do pensamento..."

 

in Manuel Teixeira Gomes (1860-1941), Cartas sem Moral Nenhuma (1904; 3.ª edição, 1934, pp. 124-126).

 

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Julho 10 2009

 

 

"Não penses em guerra, os russos não me cortarão a cabeça, nem tão pouco os japonezes. Estimarei muito saber as noticias tuas que me promettes, mas não marques prazo; venham quando calhar, e quando te sentires em disposição para tal. E olha, não escrevas sempre cartas, que dão mais trabalho do que os bilhetes postaes; eu mesmo desejo possuir tres bilhetes postaes illustrados, escriptos um por ti, outro pela Maria [sobrinha Maria Luísa de Moraes Costa] e outro pelo Joaquim [sobrinho Joaquim Adriano de Moraes Costa], enviados para cá pelo correio, isto para a minha collecção de bilhetes postaes illustrados, começada ha pouco tempo; indico-te pois um meio facil de me darem noticias."

 

Excerto de uma carta endereçada a sua irmã Emília Regina Perpétua de Moraes (?-1905), enviada de Kobe e datada de 24 de Junho de 1904.

 

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publicado por blogdaruanove às 16:00

Julho 09 2009

 

Riviera di Levante – Veduta generale di Portofino ed il promontorio

Bilhete postal circulado de Génova, Itália, para Apolda, Turíngia, Alemanha, em Abril de 1904.

Emissão de editor não identificado, reproduzindo uma imagem captada em 1898 por Fr. Reincke.

 

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Junho 18 2009

 

Carreta, Provincia Corrientes, Rep. Argentina

Bilhete postal circulado da Argentina, para Portugal, em Novembro de 1904, pelo navio S. S. Città di Torino.

Edição de R. Rosauer, Rivadavia.

 

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publicado por blogdaruanove às 16:07

Junho 09 2009

 

Capa, de autor não identificado, para a Nova Colecção Portugueza.

Reproduz-se aqui um exemplar do volume I (1904) do Theatro (O Valido; O Castello de Faria), do dramaturgo, e general, Joaquim da Costa Cascaes (1815-1898).

 

A peça O Valido foi representada pela primeira vez em 18 de Maio de 1841, no Theatro da Rua dos Condes, em benefício do actor Theodorico, padrinho do actor Theodorico Baptista da Cruz, falecido em 1883. A peça O Castello de Faria foi representada pela primeira vez também no Theatro da Rua dos Condes, em 4 de Fevereiro de 1843, em benefício do actor Epiphanio.

 

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Março 14 2009

 

Ilustração de autor desconhecido (possivelmente, Celso Hermínio [1871-1904] ou Pedro Cid [datas desconhecidas]) para a capa da revista A Parodia, número 59, 2.º ano, de 25 de Fevereiro de 1904.

 

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