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Rua Onze . Blog

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

A Alma do Grande Sino (V)

blogdaruanove, 15.05.09

 

 

Por isso, o valoroso mandarim Kouan-Yu reuniu os mestres fundidores e os renomados metalúrgicos do império, e todos os homens de grande reputação e destreza no trabalho de fundição. E estes mediram os materiais para a liga, manuseando-os com perícia. E prepararam os moldes, as fogueiras, os instrumentos, e o monstruoso cadinho onde o metal se iria fundir. Como gigantes, superaram-se no trabalho, negligenciando apenas o descanso, o sono e os confortos da vida. Trabalhando noite e dia em obediência a Kouan-Yu, empenhavam-se em tudo para cumprir a exigência do Filho do Céu.

 

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A Alma do Grande Sino (IV)

blogdaruanove, 14.05.09

 

 

   Ora bem, esta é a história do grande sino no Ta-chung sz’, tal como se encontra no Pe-Hiao-Tou-Choue, que foi escrito pelo culto Yu-Pao-Tchen, da Cidade de Kwang-tchau-fu (4).

   Há aproximadamente quinhentos anos, o Celeste Augusto, o Filho do Céu, Yong-Lo, da “Ilustre” dinastia, a dinastia Ming, ordenou ao seu digno funcionário Kouan-Yu que fizesse um sino com tal dimensão que a sua voz pudesse ser ouvida a cem li (5) de distância. E ordenou também que a voz do sino fosse reforçada com latão, e aprofundada com ouro, e adoçada com prata. E que a sua face e os grandes rebordos fossem gravados com frases abençoadas dos livros sagrados. E que o sino fosse suspenso no centro da capital imperial, para soar através dos coloridos caminhos da cidade de Pequim.

 

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A Alma do Grande Sino (III)

blogdaruanove, 13.05.09

 

  

Assim soara o grande sino todos os dias, durante quase quinhentos anos – Ko-Ngai. Primeiro com um estupendo clangor, depois com um incomensurável gemido dourado, seguido de um argentino murmurar – “Hiai”. Não há uma única criança em todos os coloridos caminhos da velha cidade Chinesa que não saiba a história do grande sino, que não saiba dizer por que é que o grande sino diz Ko-Ngai e Hiai!

 

A Alma do Grande Sino (II)

blogdaruanove, 12.05.09

 

  

KO-NGAI! Todos os azulejos auri-verdes do templo vibram e os peixinhos dourados de madeira, que os rematam, retorcem-se em direcção ao céu. O dedo levantado de Fo agita-se bem alto, sobre as cabeças dos fiéis, através do azulado nevoeiro de incenso (3)KO-NGAI! Que som trovejante aquele! Todos os duendes lacados das cornijas do palácio contorcem as suas coloridas línguas de fogo! E depois de cada enorme choque, quão maravilhoso é o múltiplo eco e o grande gemido dourado. Por fim, quando o imenso tom desfalece em requebrados murmúrios de prata, fica nos ouvidos um choramingar súbito e sibilante, como se uma mulher murmurasse – “Hiai”. 

 

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A Alma do Grande Sino (I)

blogdaruanove, 11.05.09

Detalhe de uma xilogravura de Utagawa Kunisada (1786-1865),

também conhecido como Toyokuni III, publicada em 1858.

 

Ela tinha falado e as suas palavras ainda ressoavam nos ouvidos dele.

Hao-Khieou-Tchouan: c. IX. (1)

 

 

   O relógio de água marca a hora no Ta-chung sz’ (2). Na Torre do Grande Sino o martelo está agora levantado, para golpear os rebordos do monstro de metal. Rebordos imensos, inscritos com textos Budistas do sagrado Fa-hwa-King, dos capítulos do santo Ling-yen-King! Oiçam o grande sino a responder! KO-NGAI! Embora sem língua, quão poderosa é a sua voz! Nos beirais do telhado esverdeado, os pequenos dragões arrepiam-se todos, até à ponta das suas caudas douradas, sob aquela profunda onda sonora. Nos seus poleiros de talha, as gárgulas de porcelana tremem todas e todas as cem campainhas dos pagodes se agitam, com desejo de falar. (...)

 

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