Rua Onze . Blog

Novembro 30 2009

 

Pequeno amuleto em ouro. Brinde que poderia surgir num bolo-rei há algumas décadas atrás.

 

A expressividade traduzida pelo gesto de fazer figas é um dos símbolos fálicos mais enraízados em algumas culturas mediterrânicas, particularmente nas de origem e influência latina, sendo em muitas dessas culturas considerado um  amuleto contra acontecimentos adversos.

 

O valor arquetípico das figas, e de alguns outros símbolos fálicos,  pode, contudo, incluir-se numa simbologia mais vasta da verticalidade, da ligação entre o humano e o divino, da relação entre as forças telúricas e ctónicas e as forças cósmicas.

 

Embora as torres sineiras, os minaretes, as torres do silêncio, os pelourinhos, os cruzeiros, as colunas comemorativas, os menires, e outros edifícios ou monumentos predominantemente verticais de diferentes culturas, possam ter uma funcionalidade específica, não deixam de remeter para essa ligação simbólica entre o humano e o divino, o terrestre e o celestial, que vem sendo arquetipica e sincreticamente retomada na cultura ocidental desde a bíblica imagem da Torre de Babel.

 

Embora a simbologia dessa verticalidade, divina ou divinizante, não seja exclusiva do mundo ocidental, é aqui que encontramos inúmeros exemplos de objectos traduzindo uma supremacia hierárquica, alegadamente de eventual origem divina ou sobrenatural, que lhe pode estar associada - o  ceptro, o báculo (forma elaborada do cajado bíblico), a vara da justiça, o pingalim, e até mesmo a... varinha de condão.

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 16:58

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