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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Artesanato Africano

blogdaruanove, 13.02.09

 

Ekwambo em madeira e marfim (49 cm), de região não identificada (provavelmente, Angola).

 

No artigo Contribuição para o Estudo da Habitação Indígena de Silva Porto, publicado no Boletim do Instituto de Angola, número  15, Janeiro-Dezembro, 1961 (pp. 125-133) escreveu Maria Angelina Teixeira Coelho (p. 125):

 

"Na periferia da cidade de Silva Porto [actual Kuito, província do Bié, Angola], encontram-se várias sanzalas, a que os habitantes da região dão o nome de – imbo (pl. ovambo).

 

Nestas sanzalas, a população, que se dedica na sua maioria a trabalhar na cidade, é bastante heterogénea, pois, além de Bienos, encontram-se ali Luenas, Luimbes, Quiocos e, pricipalmente, Ganguelas. Estes, talvez devido à atracção urbana, têm emigrado em grande quantidade para junto da cidade, formando já núcleos de tal maneira importantes que começam a empurrar os elementos de outras etnias na direcção do Huambo.

 

Porém, apesar destas migrações Ganguelas, são os Bienos que continuam a constituir a etnia predominante.

 

As sanzalas são quase todas levantadas perto de rios ou riachos que as abastecem de água, constituindo, assim, factores de grande importância na vida dos Bienos, ou então em terrenos propícios à agricultura.

 

Os Bienos, quando, por qualquer motivo, têm de construir as sanzalas longe dos cursos de água, é nas margens destes que vão fazer as suas lavras de mandioca – ovapya utombo (sing. epya lyutombo) ou de milho – ovapya epungu (sing. epya lyepungu). Aí erguem uma pequena e tosca cubata de pau a pique, coberta de capim e, geralmente, de forma circular – osinge (pl. olosinge), onde se abrigam das chuvas e, eventualmente, pernoitam, quando o trabalho das lavras ou a distância a que se encontram das sanzalas a isso obrigam."

 

Ekwambo em madeira e marfim (49 cm), de região não identificada (provavelmente, Angola).

 

Mais à frente (p. 131), na descrição dos utensílios domésticos, refere a mesma autora:

 

"Nas – olombya [panelas] grandes, quando a família é muito numerosa, preparam os alimentos e nelas guardam, normalmente, a água para beber, pois o barro ajuda a mantê-la fresca e de sabor agradável.

 

Junto da panela de água, encontra-se um objecto – ekwambo (pl. akwambo), que serve para tirarem a água e para, por ele, a beberem. Este – ekwambo é constituído por um cabo de madeira – upi (pl. ovipi) de 50 cm., que atravessa, de lado a lado, uma pequena cabaça – omela yekwambo (pl. olomela vyekwambo), de forma esférica, de 13 cm. de diâmetro de bojo e de 7 cm. de diâmetro de abertura. Para as crianças, fabricam outro – ekwambo de pequenas dimensões – okakwambo (pl. otukwambo), com 19 cm. de cabo, 7 cm. de diâmetro do bojo da cabaça e 3 cm. de abertura da mesma."

 

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