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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Autógrafos - Luís Forjaz Trigueiros

blogdaruanove, 22.07.09

 

Luís Forjaz Trigueiros (1915-2000), conto As Horas Extraordinárias ou A Inveja, no volume Os Sete Pecados Mortais (1966), com seis ilustrações de Nikias Skapinakis (n. 1931).

 

 

Autor de diversos ensaios sobre África e o Brasil, de muitas traduções e de inúmeros textos de crítica literária, Luís Forjaz Trigueiros iniciou a publicação da sua obra ficcional com o livro de contos Caminho sem Luz (1936).

 

Seguiram-se-lhe, Ainda Há Estrelas no Céu (1943), Boa Noite, Pai (1956), Ventos e Marés (1967), Monólogo em Éfeso (1972), O Carro do Feno (1974), Um Jardim em Londres (1987).

 

De permeio, escreveu vários textos de crítica dramatúrgica, que reuniu no volume Páteo das Comédias: Dois Anos de Crónicas de Teatro (1947), os já referidos ensaios e diversos textos relacionados com a sua vida de Académico. Já na década de oitenta, publicou o volume É Fácil Amar Lisboa (1989), conjunto de textos complementados com fotografia de Nuno Calvet  (n. 1932).

 

No conto As Horas Extraordinárias ou A Inveja, Luís Forjaz Trigueiros  apresenta-nos uma narrativa límpida, onde a trama principal se entretece com evocações do passado e outras inserções narrativas, e a natural fluidez do conto é pontuada, subtilmente, com leves notas de humor e ironia. Desenrolando-se numa localidade fabril da margem sul do Tejo, a narrativa coloca-nos perante o ridículo, que roça a insanidade, do coleccionismo obsessivo como forma de manter uma competição entre o director, Cirilo Arruda, e o dono de uma fábrica, o Engenheiro Robalo, competitividade secreta que este último ignora.

 

Deste conto transcreve-se um parágrafo:

 

" A minha intimidade com Cirilo Arruda, essa, consolidou-se quando um dia me vi forçado a comunicar-lhe que um dos volumes do "Diário do Governo" estava truncado. Faltava um exemplar da 2.ª série e eu notara-o, por acaso, ao procurar um dos números desse ano. Embora não quisesse comprometer o meu antecessor, que aliás não conhecia, achei útil dizê-lo, para se completar devidamente a colecção. Cirilo Arruda olhou-me como se eu tivesse ido anunciar-lhe que haviam rebentado as comportas de uma barragem ou que se descobrira um desfalque na Tesouraria. Mas sobretudo lhe fez impressão que eu tivesse dado pela falta: "Você é um homem providencial! Como é que deu por isso?" Senti que nesse dia subira muitos pontos na sua consideração e, de facto, passado semanas, duma das raras vezes que, enquanto estive na fábrica, me cruzei no corredor com o Engenheiro Robalo, este, embora me visse apressado, fez-me parar e disse-me: "Lá soube do bom serviço que prestou outro dia, aquilo do "Diário do Governo". Ficamos-lhe muito gratos".

 

Ilustração de Nikias Skapinakis.

 

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Correspondência de Wenceslau de Moraes (XVI)

blogdaruanove, 22.07.09

 

"Recebi hoje a tua carta de 25 de Out.º. Cerca d'aquella data terás recebido um postal meu, no qual te manifestava os meus cuidados por ti e Familia. Ha dias, tinha a certeza de que nada soffreram, senão o susto, com que me consolei.

 

O que se passou nos primeiros dias de Outubro foi effectivamente assustador. Imagino as tuas afflicções, e explico muito bem os incommodos de tua Esposa, de minha Irmã, etc. Mas agora é preciso encherem-se de boa vontade, reagirem contra o mal dos nervos e entrarem na vida normal. A gente de Lisboa é muito piegas, convem não seguirem o exemplo. Essas pieguices é que levaram sobre tudo o paiz á desgraça em que se encontrou.

 

Sabes que a Monarchia estava podre, perdida sem remedio. Veio naturalmente a Republica e devemos esperar d'ella alguma coisa boa para o nosso pobre paiz. O que é preciso é que todos se compenetrem dos seus deveres civicos e que todos trabalhem para o bem commum. Faze tu por teu lado o que poderes, anima-te, não penses mais no zunido das balas que passaram pelo teu telhado.

 

(...)

 

Sabes alguma coisa do Moreira de Sá, Carlos Campos, Carvalhosa (2.º Commandante do Corpo de Marinheiros)? Do Eça tambem não tenho noticias, mas creio que nada soffreu nem sofferá nos seus interesses. Está bem?"

 

Excerto de uma carta endereçada a seu sobrinho Joaquim Adriano de Moraes Costa (datas desconhecidas), enviada de Kobe e datada de 15 de Novembro de 1910.

 

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