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Julho 15 2009

 

 

José Marmelo e Silva (1911-1991; sobre a data de nascimento, ver: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/16821.html), Adolescente (1948; nas edições posteriores, Adolescente Agrilhoado).

 

 

Autor periodicamente recuperado por alguns críticos e alvo do interesse pontual de alguns escritores (recordo ter encontrado Maria Alberta Menéres [n. 1930] há alguns anos atrás, num alfarrabista, procurando as suas esgotadíssimas edições, e esta em particular), Marmelo e Silva produziu textos que ora se aproximam do movimento presencista, com o qual colaborou, ora do movimento neorealista.

 

Tendo iniciado o seu esparso mas coerente, e sólido, percurso editorial com a obra Sedução (1938; cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/16821.html), Marmelo e Silva veio a publicar em seguida Depoimento (1939, na revista Presença; 1945, em colectânea; 2000 em edição singular), O Sonho e a Aventura (1943), a presente novela,  Conversa Entre Plátanos (1960), O Ser e o Ter (1968),  Anquilose (1971) e Desnudez Uivante (1983).

 

Desenvolvendo uma literatura marcada pelas problemáticas da adolescência – as inquietações, as inseguranças da sexualidade, o confronto entre o eu e a sociedade, o autor marcou desde logo o seu estilo com a novela Sedução.

 

Nesta obra, evocando o que de melhor se encontra na análise psicofisiológica desenvolvida em algumas personagens de Abel Botelho (1854-1917), Marmelo e Silva evita a maçada dos parágrafos pseudocientíficos da obra deste, oferecendo-nos um relato indirecto mas desassombrado da homossexualidade feminina entrevista pelo olhar confuso de um adolescente enamorado.

 

Já em Adolescente, o autor acrescenta às perplexidades da adolescência o conflito interior causado pelos condicionalismos da educação religiosa e o sofrimento provocado pelo sentimento de culpa, antecipando uma temática que Vergílio Ferreira (1916-1996) abordaria posteriormente em Manhã Submersa (1954).

 

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Julho 15 2009

 

" [continuação] Perguntas-me se é verdade tudo que o Dr. C. B. diz sobre o Japão. Devolvo-te o artigo, para comparares com as minhas informações. Ha muita verdade, mas tambem ha muita mentira.

 

Durante a guerra, o serviço medico japonez mostrou-se magnifico. A hygiene japoneza é soberba. A cremação dos mortos, geral, deve ser de excellente effeito. Para se imaginar o que vale a hygiene japoneza, basta pensar nos horrores da peste na China, na India e n'outros pontos, durante estes ultimos annos; pois o flagello tem sido introduzido por varias vezes no Japão, em virtude das suas relações commerciaes com a China e a India, mas nunca tem conseguido enraizar, limitando-se as victimas a um infimo numero!... O japonez vive muito ao ar livre, mas de noite fecha em geral as suas janellas. O japonez é vegetariano, mas não por systema; come tambem muito peixe e mariscos; não gosta muito de carne de vacca, mas nas grandes povoações já a come; nas localidades do interior não usa d'ella. A tal comida do homem do campo, composta de tomates, pepinos e saladas, é pêta; o japonez não come tomates, mas beringelas, pepinos, espinafres, nabos, feijão, ervilhas, favas, etc. A alimentação do pobre consta geralmente de arroz cosido sem sal, salmoira de nabos e uma chavena de agua morna. O japonez nunca bebe chá com leite, mas só chá, sem assucar, alguma cerveja e o vinho indigena, saké; quasi nunca bebe agua. Toda a gente toma banho, e frequentemente; o banho é muito quente, e depois d'elle muitas pessoas lavama a cabeça com agua fria; a grande maioria da população, naturalmente pouco abastada, usa dos banhos publicos, pagando menos de 10 reis por cada banho. Eis o que me occorre dizer-te sobre o artigo em questão. [continua] "

 

Excerto de uma carta endereçada a seu sobrinho Joaquim Adriano de Moraes Costa (datas desconhecidas), enviada de Kobe e datada de 18 de Outubro de 1905.

 

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publicado por blogdaruanove às 16:00

Julho 15 2009

 

Fotografia produzida pelas Officinas Photographicas, Rua Nova do Almada, Lisboa.

Dimensões do cartão: ? x ? cm.

Apresenta a seguinte inscrição manuscrita: " Maria Helena / - 6 - 6 - 910 - "

 

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publicado por blogdaruanove às 09:58

Julho 15 2009

 

   A viscondessa, a mulher,

   Que elle appellida a Madama,

   Já se pinta para ser,

   Não Madama, porém Dama

   Do Paço, se Deus quizer!

 

Raimundo António de Bulhão Pato (1829-1912), A Dança Judenga (1901).

 

 

 

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