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Rua Onze . Blog

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

Correspondência de Wenceslau de Moraes (VII)

blogdaruanove, 09.07.09

 

"Vou agora fazer-te dois pedidos, e se quiseres desempenhar-te d'elles, bom será: mas ficarão á tua unica responsabilidade, não á de tua mãe, que, coitada, pelas suas occupações caseiras, não terá facilidade de desempenhar-se délles a meu contento. Um, é comprares-me o livro de João de Deus do qual te envio o annuncio, e mandares-m'o para aqui pelo correio. Outro, mais complicado, é indagares no escriptorio do "Diario Popular" quando termina a assignatura que ahi mandei fazer por um anno; toma nota da data, e não digas mais nada aos homens; mas, quando fôr occasião, isto é no dia em que acabar a minha assignatura, toma uma assignatura em teu nome, por 6 mezes se fôr possivel, lê os jornaes se gostas, e manda-me todas as semanas um pacote d'elles pelo correio, com uma boa cinta de papel e amarrados depois, mas não registados."

 

Excerto de uma carta endereçada a seu sobrinho Joaquim Adriano de Moraes Costa (datas desconhecidas), enviada de Kobe e datada de 29 de Novembro de 1900.

 

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Documentos & Companhia

blogdaruanove, 09.07.09

 

Soneto autógrafo de Mayer Garção (Francisco de Sande Salema Mayer Garção,1872-1930), sem data, dedicado a sua filha Maria Júlia, publicado na obra póstuma Cantos da Esperança e da Morte: Inéditos e Dispersos (1932).

 

   Para Maria Julia

 

   New York

 

   "Cidade monstruosa!" ella lhe chama,

   – e és bem injusta, filha, d'esta vez,

   porque essa forja, que um vulcão inflamma,

   não devorou a tua pequenez.

 

   Pelo contrario: com piedosa chamma,

   amou-te a graça timida, talvez,

   e respeitou, na avesinha que ama,

   o seu coraçãosinho portuguez.

 

   Exhausta, no alto mar, uma andorinha,

   se acaso passa um collossal vapor,

   n'um astro [sic] poisa, a descansar do vôo.

 

   O mastro ri-se; a onda ri, mansinha...

   – Se egual sorriso deste á minha flôr,

   Ó ceo de New York, eu te abençôo!

 

   De teu pae

 

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A Dança Judenga (XIV)

blogdaruanove, 09.07.09

 

   Sempre o inflexivel pescoço

   Entre muros de cartão,

   Mas volta-o, bispando um osso,

   E abóca co'a promptidão

   D'um famelico molosso!

 

Raimundo António de Bulhão Pato (1829-1912), A Dança Judenga (1901).

 

 

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