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Rua Onze . Blog

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

A Dança Judenga (V)

blogdaruanove, 26.06.09

 

   Surgem casos singulares!...

   Já lá vae, ha tanto, o entrudo,

   E vejo alguns titulares,

   E outros de nome graúdo,

   Enfarinhados aos pares!...

 

Raimundo António de Bulhão Pato (1829-1912), A Dança Judenga (1901).

 

 

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A Dança Judenga (IV)

blogdaruanove, 25.06.09

 

   É bem feito que lh'o dê,

   Que elle aguenta com a albarda,

   E com muito ponta-pé;

   Podendo dar murro em barda

   Nos trunfos de tal ralé!

 

Raimundo António de Bulhão Pato (1829-1912), A Dança Judenga (1901).

 

 

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Autógrafos - Natércia Freire

blogdaruanove, 24.06.09

 

Natércia Freire (1919-2004), A Alma da Velha Casa (1945).

Capa de Inês Guerreiro (datas desconhecidas).

 

 

Tendo publicado anteriormente dois volumes de poesia, Estátua (1941) e Horizonte Fechado (1943), conforme anunciado no presente volume (embora a BNP registe em 1939 a obra Meu Caminho de Luz), Natércia Freire veio a receber em 1971 o Prémio Nacional de Poesia, ex-aequo com David Mourão-Ferreira (1927-1996), pela sua obra Os Intrusos, mas já em 1955 havia recebido o Prémio Ricardo Malheiros pela obra em prosa Infância de Que Nasci.

 

Este seu volume de contos, A Alma da Velha Casa, trata recorrentemente da perda, da morte e da solidão, com um acento tónico da narrativa e das personagens na sofredora visão feminina do mundo.

 

De entre esses contos, salienta-se A Preta, como a única narrativa onde surgem a felicidade, a alegria e a esperança, que nem sempre são características da infância na obra da autora, como se comprova em Perdi Alma. Mas é em contos como O Regresso Dela que se testemunha a concepção literária de Natércia Freire para um mundo de personagens inexoravelmente condenadas ao sofrimento e à amargura.

 

Deste último conto transcreve-se um breve excerto:

 

"Viera sentar-se no banco rangente de pinho, com a melhor saia preta de sarja que comprara na loja do senhor Matias, o seu melhor chaile prêto, o seu melhor lenço de cabeça, os seus melhores sapatos, abotoados com uma grande fivela niquelada, tudo ainda do tempo dêle, sòmente com a diferença de que, no tempo dêle, ela nunca vestira aquela roupa conjuntamente. Viera sentar-se ali, à frente da casa, com as paredes brancas detrás de si, tarjadas de prêto como o lenço a que enxugava as lágrimas amargas, e os carris de ferro, brilhantes do sol e saltitantes da luz, à sua frente. Havia, para lá do muro que limitava a linha e mesmo de cara para casa, uma enorme mata de carvalhos umbrosos e de eucaliptos, de cheiro acre, onde os lenhadores passavam os dias a cortar toros, na sua cantilena lúgubre de vida que tomba. E, se calhava alguém passar de perto, rente ao muro e do lado da linha, quando ameçava cair derrubada à fúria dos machados alguma árvore condenada, o estilo e a frase eram sempre os mesmos, arrastados e melancólicos, a encher de receios e ritmos tristes aquela solidão:

– Ó de lá, ó da mata... Vai gente..."

 

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A Dança Judenga (III)

blogdaruanove, 24.06.09

 

   Jurou dar um mundo novo

   Ao povo a democracia!...

   Cheia agora como um ovo,

   É toda philosophia,

   E um... dardo é que dá ao povo!

 

Raimundo António de Bulhão Pato (1829-1912), A Dança Judenga (1901).

 

 

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Amnésia Azul Turquesa

blogdaruanove, 23.06.09

 

Suspensas em ângulo, quais copos de espadas sem gume, as memórias derretiam-se, escorrendo desajeitadamente pelas paredes azul-turquesa. Ganhando então uma sinuosidade líquida, diluíram-se, solidificando-se depois numa amnésia colorida.

 

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