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Rua Onze . Blog

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

A Volta ao Mundo

blogdaruanove, 09.06.09

 

Jayme Cortez (1926-1987), capa e ilustrações para A Volta ao Mundo (1946),

de Arnould Galopin (1865-1934) e Henri de la Vaulx (1870-1930).

 

"Destas coisas de fascículos sabia o Tó Fala-Barato, grande leitor de todos os que apanhava à mão, devorando-os de enfiada, em galope, sem descanso nem paragem para respirar.

 

De tudo se servia, mas andou entretido durante um tempo danado a coleccionar uma volta ao mundo que nunca mais acabava, editada em fascículos de formato minorca. Eram as aventuras de um puto e de um preto matulão, a que o tempo apagou os nomes, e de que muitas vezes se servia para transformar em estórias semi-inventadas, semi-copiadas. aventuras rocambolescas, muitas delas sem sem pés nem cabeça, sempre a deixarem "os nossos dois heróis" à beira da morte no final de um fascículo e a "salvarem-se miraculosamente" no início do seguinte. Bem ao gosto do faz-de-conta do Tó e com proezas do camandro, que a malta gramava aos molhinhos, com muito molho e alguma marmelada. Isto de estórias é como comer: refeição que não tenha sobremesa, não é refeição, é petisco. Porrada sem marmelanço não é aventura, é uma barafunda. Ora estas coisas o Tó topava-as à légua e, quando nos fazia o relato, metia sempre uns pozinhos de estória com cheiro a mulher para aquilo não se tornar tão insípido. De resto, nisto, era honesto: "Ó malta!, os gajos não escrevem lá o qu'é que se passa, mas eu acho que...", e avançava com um piscar de olho à fome lúbrica com que era ouvido. Ora os dois aventureiros tinham ido parar a uma terra onde as mulheres, boas com'ò milho, andavam pinta-nuas de todo. "C'as mamas à vela e tudo?!", perguntava o Coxinho. "Já disse qu'eram nuas de todo, porra!", exclamava o Tó, que nisto era como todos os contadores de estórias e não gostava de ser interrompido. Ora tinham sido abrigados numa casa onde ouviam risos de homens e mulheres. Ora estavam escondidos numa escada, acordaram com passos, olharam para cima e viram o que uma mulher mostra e o querer mais inventa, quando o espreitar é sobre saias. Ora estavam numa ilha deserta e veio dar à costa um barco naufragado com "uma miúda linda, linda", o vestido feito em farrapos, descobrindo, inventem vocês o resto, isto é, o que bem lhes aprouver. Ora estavam sentados à beira da estrada, esfomeados como tudo, e passa uma camponesa que os leva para casa, lhes dá de comer, trata-os o melhor que pode e à noite vai-se enfiar na cama com o puto aventureiro que, nestas andanças e na época, misturar sexos opostos ainda vá que não vá, agora, ainda por cima um preto com uma branca é que não podia ser nada. Que o puto aventureiro e reguila se metesse com preta, por mais escarumba que fosse, não nenhum mal ao mundo, não alterava a estória nem blasfemava a história. Agora o preto ser tomado pela mesma bitola é que arrebentava com a escala e tinha de ser enforcado como é bem de ver, acabando com as aventuras a dois. A bem da continuação no próximo fascículo e do desenrolar harmonioso da dita, " o bom gigante negro" ficava a ver navios do princípio ao fim e, de mulheres, nem a baínha da saia, nem olhá-las de frente, nem levantar os olhos, não fosse aparecer algum brilho mais audaz, estragando todo o trabalhoso arranjinho do autor principal e pondo o seu continuador e comentarista, Tó Fala-Barato, em palpos de aranha para se livrar de tal encrenca. Mais para o tarde, havia de se marimbar para tais cautelas e vieram estórias de grande rebarba, onde entravam mulheres de caçadores em África a porem os cornos aos maridos com criados negros de grandes mocas. Mas isso foi muito depois de ter lido as aventuras do menino Tonecas na Marca dos Avelares e ouvido a irmã do Benvindo gabar a tranca do Filomeno. Por ora, o ora era outro, mais conforme a hora e o local. Mais dentro da 'moral vigente' e das suas normas e pruridos."

 

in Na Boca da Infância (1988), de António Damião (n. 1941).

 

 

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Arquivo Fotográfico - Série Marken Snapshots

blogdaruanove, 09.06.09

 

 

Fotografia da série Marken Snapshots, publicada por editor não identificado.

Dimensões: 7 x 9,2 cm.

Primeira metade do século XX (provavelmente, década de 1920 ou 1930).

 

Compare com outros primeiros planos de trajos femininos de Marken em: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/tag/marken e http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/16302.html.

 

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Arte Nova

blogdaruanove, 09.06.09

 

Capa, de autor não identificado, para a Nova Colecção Portugueza.

Reproduz-se aqui um exemplar do volume I (1904) do Theatro (O Valido; O Castello de Faria), do dramaturgo, e general, Joaquim da Costa Cascaes (1815-1898).

 

A peça O Valido foi representada pela primeira vez em 18 de Maio de 1841, no Theatro da Rua dos Condes, em benefício do actor Theodorico, padrinho do actor Theodorico Baptista da Cruz, falecido em 1883. A peça O Castello de Faria foi representada pela primeira vez também no Theatro da Rua dos Condes, em 4 de Fevereiro de 1843, em benefício do actor Epiphanio.

 

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