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Maio 21 2009

 

Baptista-Bastos (Armando Baptista-Bastos, n. 1934), Um Homem Parado no Inverno (1991).

 

 

Romance sobre a ausência e a incerteza, Um Homem Parado no Inverno retrata a reacção de uma personagem à morte da companheira de longa data, narrando as suas deslocações constantes entre Lisboa e uma pequena aldeia costeira.

 

Esta vivência pessoal do protagonista, Manuel, desenvolve-se num tempo de transição, que evoca o passado do Estado Novo, através do patriarca de uma família fidalga e abastada, os Magalhães, de quem Manuel é íntimo, e exemplifica a perplexidade perante o presente, o final dos anos oitenta, através dos numerosos descendentes do patriarca e da sua família disfuncional.

 

Este aspecto disfuncional da família e da própria personagem principal reflecte-se no discurso narrativo, o qual alterna entre um modelo tradicional e um modelo fragmentado que se torna contínuo através da ausência de pontuação.

 

Para uma pequena nota sobre outra obra de Baptista-Bastos, consulte: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/221979.html. De Um Homem Parado no Inverno transcreve-se um pequeno parágrafo:

 

"Foi sabendo do holandês: esparsas notícias. A vida, na capital, complicara-se-lhe, o negócio de antiguidades não ia bem porque, nessa época, submetido a emoções de posse, apaixonava-se por objectos de que se não desfazia, embora encontrasse compradores interessados. Só muito espaçadamente ia à aldeia. As suas relações com os vizinhos e amigos eram então passageiras: pagava o que tinha a pagar, cumpria os rituais das cortesias, regressava a Lisboa ao anoitecer. Durante muito tempo fora indulgente para com as afectadas capacidades de preconizar, por quase todos os Magalhães manifestadas, antes de descobrir que eles não amavam as ideias. Não sou mais do que um velho adolescente, pensara, a quem foi revelado que esta gente é cheia de má-consciência e habitada pela mentira."

 

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Maio 21 2009

 

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Maio 21 2009

 

E. S. 194. BOULOGNE–s–MER

Matelotes s'apprêtant pour le Quadrille

Bilhete postal circulado em Dezembro de 1908.

Edição de Stévenard, Boulogne-sur-Mer.

 

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Maio 21 2009

 

Ora, Kouan-Yu tinha uma filha de deslumbrante beleza, cujo nome – Ko-Ngai – estava sempre na boca dos poetas e cujo coração era ainda mais belo que a sua face. O amor de Ko-Ngai pelo pai era tal que havia recusado uma centena de valorosos pretendentes, para não deixar a casa desolada com a sua ausência. Ao ver a tremenda missiva amarela, selada com o Selo do Dragão, receando pelo destino de seu pai, desmaiou. Quando recuperou os sentidos e a sua força retornou, não pôde descansar nem dormir, pensando no perigo em que se encontrava seu pai. Até que secretamente vendeu algumas das suas jóias e se apressou até um astrólogo com o dinheiro obtido, pagando-lhe uma grande soma para a aconselhar acerca dos meios que poderiam salvar seu pai dos perigos que pendiam sobre ele. Por isso o astrólogo perscrutou os céus e observou o aspecto da Corrente de Prata (por nós denominada Via Láctea), e examinou os signos do Zodíaco, o Hwang-tao, ou Estrada Amarela, e consultou a tabela dos Cinco Hin, ou Princípios do Universo, e os livros místicos dos alquimistas. E depois de um longo silêncio respondeu-lhe, dizendo:

 

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