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Maio 08 2009

Cigarreira em madeira torneada e marfim, da década de 1930.

Moçambique (?), via Angola.

 

Embora predomine a ideia de que, nas antigas colónias portuguesas, a produção de artesano africano para consumo urbano apenas atingiu grandes proporções nas décadas de 1960 e 1970, a verdade é que essa produção já era significativa nas décadas de 1920 e 1930.

 

O interesse manifestado por escultores e pintores modernistas, entre estes particularmente os cubistas, pela arte africana levou a uma intensa procura destes objectos no início do século XX.

 

Com o advento da era do Jazz este interesse consolidou-se, passando diversos objectos de artes decorativas e de uso quotidiano a serem produzidos, total ou parcialmente, em África para o consumo de europeus e norte-americanos.

 

O estilo Art Déco recorreu com frequência a esta fonte de matérias-primas provenientes das colónias africanas administradas por países europeus, desenvolvendo diversas peças que incluíam madeiras exóticas, marfim, ovos de avestruz, peles de cobra, crocodilo, girafa, leopardo, tubarão e zebra, num crescendo que atingiu o seu auge durante as inúmeras exposições coloniais da década de 1930.

 

As peças mais acessíveis e populares eram, contudo, aquelas que apresentavam madeiras exóticas trabalhadas em torno mecânico, com frequente inclusão de marfim.

 

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Maio 08 2009

 

3   CHAVES - Carreira de Tiro e Forte de S. Neutel

Bilhete postal da década de 1920 ou 1930.

Edição da Sociedade de Defeza [sic] e Propaganda de Chaves, com cliché da Fotografia Alves.

Impressão de Lévy et Neurdein Réunis, Paris.

 

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Maio 08 2009

 

 

Fausto Duarte (1903-1953), Auá (primeira e segunda edições, 1934).

Na capa, fotografia de Francisco de Oliveira (datas desconhecidas), exibida no Salão Internacional de Fotografia, Paris, 1933.

 

Com esta obra, Fausto Duarte recebeu o prémio de literatura colonial para 1934, tendo publicado posteriormente O Negro sem Alma (1935), Rumo ao Degredo (1938), A Revolta (1945) e Foram estes os Vencidos: Contos (1945). Neste último volume anunciava-se ainda a preparação do romance Os Escravos, de que não há registo de publicação.

 

Pouco antes de falecer, foi ainda guionista do filme Sortilégio Africano (também conhecido como Chikwembo!, 1953), realizado por Carlos Marques (datas desconhecidas).

 

Surgindo numa linha que se assume de algum modo como herdeira das obras de análise social e retrato psicológico de Abel Botelho (1854-1917; cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/18759.html) – o próprio autor, na introdução, declara "Auá – documentário etnográfico – é também um novo capítulo da psicologia indígena." – este texto, para além de incluir diversas expressões em língua Fula, inclui ainda largas passagens em Alemão, factos que contribuem para um certo hermetismo do discurso narrativo. A isto soma-se também um constante recurso a palavras eruditas, em Português, que afectam a fluência discursiva e originam certa perplexidade na leitura, como se constata no seguinte excerto:

 

"Em Sare-Sincham a algazarra era infernal. Centenas de indígenas espalhados pela  tabanca envolta na clâmide branca do luar que descia incorpórea do plenilúnio, escutavam a toada rítmica dos balafons e as melodias árabes que os judeus, tocadores de nhanhero, cantavam com esgares de escárnio. Pouco a pouco formava-se o círculo onde o côro das raparigas fulas, vestidas garridamente para a festa, palmeava acompanhando a cadência ruïdosa dos tambores."

 

A narrativa desenvolve-se à volta de Malam, um Fula que vive em Bissau e se desloca à sua tabanca, Sare-Sincham, para desposar Auá. O percurso entre estas duas localidades, atravessando Mansoa, Bafatá, Geba e Contubo-el serve de pretexto para pequenas descrições da paisagem e das populações guineenses, culminando com a estadia na zona de fronteira que é Sare-Sincham e a referência a alguns usos e costumes das tabancas das redondezas – Cadembele, Malibula, Patinbal-a e Sare-Bailela.

 

Tal como em Na Terra do Café (1946; cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/186875.html) de Metzner Leone (1914-1987), um feiticeiro-curandeiro indígena, o marabu Issilda, aproveita-se do seu estatuto para forçar situações de intimidade com as personagens femininas. Neste caso, a situação conduz a um desenlace desagradável para todas as personagens principais, culminando com a morte de Issilda e a separação entre Auá e seu marido Malam.

 

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Maio 08 2009

 

Xilogravura ōban atribuída a Keisai Eisen (c. 1790-1848).

 

Eisen é particularmente conhecido pelas inúmeras gravuras que reproduzem notáveis paisagens japonesas e retratos de bijin (belezas) do período Edo (1603-1868).

 

Produziu, além disso, diversas gravuras eróticas, shunga, dentro de uma tradição masculina da cultura japonesa que privilegiava a consulta discreta e privada das mesmas, dado que tais gravuras são frequentemente explícitas e hiperbólicas quanto aos atributos masculinos.

 

Contudo, a qualidade da obra de Eisen e a discrição japonesa reflectem-se com maior propriedade em gravuras como esta, onde a conotação sexual é subtilmente sugerida através da braseira, da brasa sob a mesa, das pernas entrecruzadas e do livro aberto interseccionado por outro livro. 

 

Para as pessoas mais distraídas, sublinhe-se ainda a possibilidade de esta expressão japonesa, shunga, poder estar na origem das palavras portuguesas chunga e chungaria, considerando os seus significados e a falta de consenso entre os linguistas quanto à sua origem.

 

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publicado por blogdaruanove às 15:17

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