Rua Onze . Blog

Fevereiro 20 2009

 

FARO – Praça

Bilhete postal do início do século XX.

Edição de Alberto Malva - Rua da Madalena, 23 - Lisboa.

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 19:00

Fevereiro 20 2009

 

Capa de Marcelino Vespeira (1925 -2002).

 

Manuel Lopes (1907-2005), Os Flagelados do Vento Leste (1960).

 

Manuel Lopes já tratara a temática da fome no seu anterior romance, Chuva Braba (1956; cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/5807.html). É contudo em Os Flagelados do Vento Leste que desenvolve um intenso cenário de desolação, o qual promove o desespero e a degradação humana.

 

Em páginas sofridas e cheias de tensão, o leitor assiste ao desenvolver de uma narrativa marcada por um neo-realismo de carácter insular, que em parte evoca alguma da ficção de temática nordestina do autor brasileiro Graciliano Ramos (1892-1953).

 

José da Cruz, lavrador, e um dos seus filhos, Leandro, pastor transformado em salteador, são as personagens nucleares de duas narrativas que se entrecruzam, traduzindo a impotência dos habitantes da ilha de Santo Antão perante a força dos elementos.

 

Da narrativa transcrevem-se dois excertos:

 

   "Aquela tira de carrapato era sinal de trabalho, símbolo de emancipação, na ideia do rapaz. Significava que nele se estava operando a passagem de menino para homem. Na verdade, era o começo da escravização do menino pela terra, sob o disfarce tentador da responsabilidade de homem. Todo o catraio que ajuda o pai no tráfego sério das hortas sente grandeza em ser tratado de igual para igual e em trazer aquele distintivo. Os homens usavam, naturalmente, o cinto para suster as calças, mas também para enfiar a faca. O pai tinha um lato de coiro e um cartuchinho também de coiro – a bainha – para guardar a faca. Os meninos sonham com a bainha de cabedal, emblema de responsabilidade. "Uá! Tu não tens uma faca como eu. Foi nha-pai que deu para eu ajudar ele nos mandados da horta". Então, às escondidas, já picam tabaco de rolo com a faca, e enrolam o seu cigarrinho na palha de milho. Depois enfiam o calção de dril azul ou cotim ou vichi para esconder a vergonha e andarem mais afoitos no meio de raparigas. E aprendem a limpar o suor com as costas das mãos –a princípio por puro espírito de imitação – quando, no fim do dia, empunhando o rabo da enxada, regressam ao terreiro da casa atrás do chefe de família. Porque infância de menino de campo é isto: trocar as mamas da mãe pelo cabo da enxada do pai. Porque o homem do campo não teve infância. Teve luta só, e luta braba. E esperanças e incertezas; a labuta das águas e o drama da estiagem marcados nas faces chupadas e no olhar sério. [p.52]"

 

 

   "Era a luta. A luta braba que começava. Contra os elementos negativos. Contra os inimigos do homem. A luta silenciosa, de vida ou de morte. Introduzia-se primeiro no entendimento. Depois, entrava no sangue e no peito. O homem tornava-se a força contrária às forças da Natureza. Por um mandato de Deus, o homem lutava contra os próprios desígnios de Deus. Dava toda a vontade e a sua força. Não podia fazer mais nada. O que está acima da força do homem não pertence aos seus domínios. O homem tinha uma medida. Chuva, vento e sol estavam fora dessa medida, e o homem não se podia incriminar  pelo que sucedia fora da sua medida. Os desígnios de Deus eram superiores à vontade dos homens, mas o dever do homem era lutar mesmo contra esses desígnios. [p. 96]"

 

© Rua Onze . Blog


Fevereiro 20 2009

Vizeu      Cava de Viriato

Bilhete postal do início do século XX.

Edição da Tabacaria Costa - Viseu. 

 

"Vizeu tem direito a ser uma terra de turismo, e estou convencido de que o será, desde que se torne conhecida. Já é regularmente servida de comboios, tem um Hotel que nada deixa a desejar, e oferece á curiosidade do forasteiro, para o entreter durante horas, lindos aspectos da natureza, e raros objectos d'Arte.

Vamos de corrida a Fontello, onde ha uma opulenta mata de castanheiros, e um trecho de jardim, que para ser encantador não precisa senão de alguns cuidados inteligentes, entregue a quem tenha pelas flores o culto que elas merecem. E ainda de corrida vamos de romagem á Cava do Viriato, um legendario barbaças que fez proezas na Beira, ha muitos seculos, ainda o Cristo não era nascido, e bivacou aqui, dizem as cronicas, sempre vencedor contra os romanos, que o fizeram matar á traição, peitando homens da sua entourage. Hoje a Cava, de forma polygonal, é propriedade de varias gentes, uma especie de grande horta com moradias, cheia de milho, feijão, couves... e tradições. Subsistem tres lados apenas do octogono primitivo, um deles convertido em larga Avenida, cheia de sombra, [sic] que as árvores d'um lado e outro, muito altas e muito frondosas, tocam se [sic] formando abobada."

 

in Brito Camacho (1862-1934), Jornadas (1927).

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 11:00

Fevereiro 20 2009

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 00:07

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...
mais sobre mim
pesquisar
 
Fevereiro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9




subscrever feeds
blogs SAPO