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Fevereiro 13 2009

Capa de Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957).

 

Castro Soromenho (1910-1968), Homens sem Caminho (1946).

 

O conflito entre Lundas e Quiocos que se desenvolve ao longo da narrativa vem sublinhar a inutilidade da resistência àquilo que parece ser o destino de cada um destes povos – o domínio, no caso dos Quiocos, e a submissão, no caso dos Lundas.

 

Mas, em território Lunda, o conflito é também um conflito interior, de um proscrito que regressa ao seu povo e é impotente para o salvar da ameaça dos Quiocos, e um conflito exterior, colectivo, que sublinha a decadência dos Lundas. A redução à escravatura vem confirmar essa decadência e selar a fatalidade do seu destino.

 

Djàlala, que tinha sido um proscrito e agora aparecia como um messias que viria salvar os Lundas, nada pode fazer contra os Quiocos nem contra o destino, que se anunciava através de pequenos sinais de mau-agoiro, de pequenas contrariedades, de pequenos feitiços com devastadoras consequências. O Djàlala do final da narrativa é uma personagem acabrunhada e dominada pelo destino, tendo perdido a personalidade que inicialmente demonstrava:

 

"A história da fuga do Djàlala do chão dos Bangalas, encheu todo o sertão. Os povos desgraçados e todos os escravos contavam-na ao redor das fogueiras nas noites brancas de luar. E os deserdados, em todas as senzalas lundas além-Caluango, o amaram. Gemeram os quissanges cantando o seu belo feito. E na boca das mulheres andava a sua vida feita em canção. A sua aventura ficara na saudade e no sonho de todos os infelizes. Ninguém, fora da sua aldeia e da taba do soba Cassange, o tinha visto. As mulheres aformosearam-no com a imaginação, e os escravos envolveram-lhe a vida em mistério. E  o mistério volveu-se em lenda e a lenda em canção. Mas no Caluango, no seio da sua gente, e nos povoados vizinhos, a sua história era bem diferente. Toda a gente o olhava com olhos carregados de medo. Os escravos temiam-no, porque ele ali era sobeta, senhor com poderes de mandar chicotear os vassalos e vendê-los como escravos, e os sobas e conselheiros detestavam-no. Só as mulheres lhe queriam bem."

 

Para um breve comentário sobre outro livro de Castro Soromenho, Calenga (1945), que apresenta duas novelas, consulte: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/193127.html

 

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Fevereiro 13 2009

 

Vizeu      Largo Major Teles

Bilhete postal do início do século XX.

Edição da Tabacaria Costa - Viseu.

 

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publicado por blogdaruanove às 19:00

Fevereiro 13 2009

 

Ekwambo em madeira e marfim (49 cm), de região não identificada (provavelmente, Angola).

 

No artigo Contribuição para o Estudo da Habitação Indígena de Silva Porto, publicado no Boletim do Instituto de Angola, número  15, Janeiro-Dezembro, 1961 (pp. 125-133) escreveu Maria Angelina Teixeira Coelho (p. 125):

 

"Na periferia da cidade de Silva Porto [actual Kuito, província do Bié, Angola], encontram-se várias sanzalas, a que os habitantes da região dão o nome de – imbo (pl. ovambo).

 

Nestas sanzalas, a população, que se dedica na sua maioria a trabalhar na cidade, é bastante heterogénea, pois, além de Bienos, encontram-se ali Luenas, Luimbes, Quiocos e, pricipalmente, Ganguelas. Estes, talvez devido à atracção urbana, têm emigrado em grande quantidade para junto da cidade, formando já núcleos de tal maneira importantes que começam a empurrar os elementos de outras etnias na direcção do Huambo.

 

Porém, apesar destas migrações Ganguelas, são os Bienos que continuam a constituir a etnia predominante.

 

As sanzalas são quase todas levantadas perto de rios ou riachos que as abastecem de água, constituindo, assim, factores de grande importância na vida dos Bienos, ou então em terrenos propícios à agricultura.

 

Os Bienos, quando, por qualquer motivo, têm de construir as sanzalas longe dos cursos de água, é nas margens destes que vão fazer as suas lavras de mandioca – ovapya utombo (sing. epya lyutombo) ou de milho – ovapya epungu (sing. epya lyepungu). Aí erguem uma pequena e tosca cubata de pau a pique, coberta de capim e, geralmente, de forma circular – osinge (pl. olosinge), onde se abrigam das chuvas e, eventualmente, pernoitam, quando o trabalho das lavras ou a distância a que se encontram das sanzalas a isso obrigam."

 

Ekwambo em madeira e marfim (49 cm), de região não identificada (provavelmente, Angola).

 

Mais à frente (p. 131), na descrição dos utensílios domésticos, refere a mesma autora:

 

"Nas – olombya [panelas] grandes, quando a família é muito numerosa, preparam os alimentos e nelas guardam, normalmente, a água para beber, pois o barro ajuda a mantê-la fresca e de sabor agradável.

 

Junto da panela de água, encontra-se um objecto – ekwambo (pl. akwambo), que serve para tirarem a água e para, por ele, a beberem. Este – ekwambo é constituído por um cabo de madeira – upi (pl. ovipi) de 50 cm., que atravessa, de lado a lado, uma pequena cabaça – omela yekwambo (pl. olomela vyekwambo), de forma esférica, de 13 cm. de diâmetro de bojo e de 7 cm. de diâmetro de abertura. Para as crianças, fabricam outro – ekwambo de pequenas dimensões – okakwambo (pl. otukwambo), com 19 cm. de cabo, 7 cm. de diâmetro do bojo da cabaça e 3 cm. de abertura da mesma."

 

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publicado por blogdaruanove às 17:43

Fevereiro 13 2009

 

Anúncio à Pasta Couraça, de autor não identificado, publicado na página 50 do Almanaque Ilustrado de Fafe para 1939.

 

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publicado por blogdaruanove às 15:20

Fevereiro 13 2009

 

9 – Portugal – Chaves – Largo Rui e Garcia Lopes e Rua da Ponte

Bilhete postal da década de 1920.

Edição da "Sociedade de Defeza e Propaganda de Chaves". Cliché da Fotografia Alves – Chaves.

 

"O dr. Antonio Granjo, que vamos procurar ao seu escritorio, mete-se no automovel comnosco, e aqui vamos, de alegre cavaqueira, a caminho de Verin, mal tendo reparado na ponte de cantaria, obra romana do começo da era cristã, que atravessa o Tamega, ligando os dois bairros da vila, uma soberba ponte de muitos arcos, uns dezoito, votada á gloria do imperador Vespasiano."

 

in Brito Camacho (1862-1934), Jornadas (1927).

 

11 – Portugal – Chaves – Aspecto Parcial da Cidade

Bilhete postal do final da década de 1920 (Chaves foi elevada a cidade em 1929).

Edição da "Sociedade de Defeza e Propaganda de Chaves". Cliché da Fotografia Alves – Chaves.

 

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