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Rua Onze . Blog

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...

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Autógrafos - César Pratas

blogdaruanove, 17.06.09

 

César Pratas (n. 1936), Post Scriptum (1963).

Capa de João da Câmara Leme (1930-1983).

 

 

Habitualmente, os prémios de poesia revelam autores ignorados que, a seguir à distinção, regressam na sua maioria ao anonimato ou se remetem ao silêncio literário.

 

O mesmo sucedeu no caso de César Pratas. Com Post Scriptum recebeu o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Escritores para 1962. Antes, havia apenas publicado a colectânea Antemanhã (1962), a qual foi novamente republicada e aumentada no presente volume. Posteriormente, veio a publicar unicamente o volume Sismógrafo (1969).

 

Transcrevem-se três poemas, respectivamente de Post Scriptum, os dois primeiros, e de Antemanhã:

 

Poema I

 

1

se 2 + 2

fossem apenas 2 + 2

e não 4

se cada coisa

valesse apenas

como coisa em si

sem outro significado

que o seu próprio significado

 

(...)

 

6

mas cada coisa

tem um significado

presente e ausente

 

para lá das mãos

há sempre um gesto

que não é o nosso

 

há sempre

um horizonte visual

uma continuação do fim

para que nascemos

 

Poemas de Amor

 

Poema IV

 

corro a mão pelo vértice dos dias

nesta reza vertical de imaginar-te

 

defino-te palavra mais recente

sem sílabas

vogais ou consoantes

 

uma lágrima de lodo

um pássaro à deriva

 

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