Rua Onze . Blog

Fevereiro 05 2010

Cinzeiro datado, no verso, de 1955.

 

A recuperação e reformatação dos valores do folclore bem como a sua dinamização nas décadas de 1940 a 1960 está geralmente associada ao Estado Novo e aos vários organismos corporativos desenvolvidos pelo regime – SPN/SNI, FNAT, Casas do Povo.

 

 

Todo o revivalismo dos supostos valores tradicionais veiculados pelo folclore foi exacerbado na cerâmica, como se verifica nestas peças da fábrica Aleluia, nas edições postais, com a série Conheça as suas Danças, na decoração do vidro, na própria promoção turística dos ranchos folclóricos e na sua projecção através de cartazes de instituições oficiais.

 

 

Um aspecto, contudo, é muitas vezes subvalorizado ou escamoteado na análise desse revivalismo. É que ele havia sido promovido já na década de 1920 por artistas como Bernardo Marques (1898-1962) ou Roberto Nobre, (1903-1969),  certamente na senda da recuperação de um imaginário popular europeu relançado anteriormente pelos Ballets Russes, de Diaghilev (Sergei Pavlovich Diaghilev, 1872-1929), e rapidamente aplaudido, acarinhado e  adoptado pelos modernistas.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 02:00

Fevereiro 27 2009

 

Publicada entre 1934 e 1947, a revista O Mundo Português tinha edição conjunta da Agência Geral das Colónias e do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN; a partir de 1944, SNI).

 

A primeira instituição havia sido criada em 1924 (e refundada por decretos de Março e Dezembro de 1932) e a segunda em 1933, ano em que a nova constituição veio consolidar juridicamente o Estado Novo de António de Oliveira Salazar (1889-1970).

 

Esta revista traduzia claramente a política do regime sobre a recuperação do conceito de império colonial, sendo um dos principais veículos de propaganda do africanismo e dos africanistas. Obviamente, teve ainda papel primordial na divulgação e promoção da Exposição Colonial do Porto, em 1934.

 

A propaganda, tal como era entendida pelo director do SPN, António Ferro (1895-1956), deveria utilizar e promover também a arte e a literatura, pelo que esta revista apresentou desde o seu início diversa colaboração literária, quer de africanistas quer de autores naturais das colónias.

 

O número 26, de Fevereiro de 1936, cuja capa aqui se reproduz, foi dedicado a Cabo Verde, no seguimento de uma política editorial que previa, pelo menos, um número temático dedicado a cada uma das colónias.

 

(continua na próxima semana)

 

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