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Setembro 21 2009

Jarra produzida cerca de 1930.

 

O uso do espesso vidrado e do craquelé, que se tornaram imagem de marca desta fábrica, coexistiram com uma produção artística menos onerosa em que o fundo, branco ou beige, da decoração era homogéneo e em que o vidrado era de menor espessura.

 

A decoração Art Déco era aplicada através de estampagem com os contornos delineados a uma só cor, sendo os espaços vazios preenchidos depois com a aplicação manual do esmalte colorido.

 

No caso da jarra ilustrada acima, a estampa aplicada a castanho estabelecia os contornos e parte das folhas, sendo as outras cores aplicadas posteriormente. Na jarra ilustrada abaixo o processo é similar, tendo a estampa sido aplicada a preto.

 

Jarra com design de Charles Catteau (1880-1966), produzida cerca de 1924.

 

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publicado por blogdaruanove às 14:19

Agosto 03 2009

 

Em simultâneo com as decorações mate em pasta de grés e com as célebres decorações Art Déco em faiança, onde era aplicada a técnica de esmaltagem cloisonné sobreposta a um craquelé artificial, a fábrica Boch Frères / Keramis produziu ainda decorações menos onerosas e mais conservadoras.

 

Foi o caso das decorações em esmalte escorrido, continuadoras das técnicas e do gosto do final do século XIX, que em parte replicavam de forma mais refinada uma certa tradição da olaria popular vidrada.

 

A tradição cromática oitocentista dos escorridos em verde de ferro ou vermelho de hematite, também praticada em Portugal pela Fábrica Bordalo Pinheiro e pela generalidade das fábricas das Caldas da Rainha, cedeu, contudo, à explosão de tons amarelos e verdes bem característicos da Art Déco, como os que se reproduzem.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 16:34

Junho 01 2009

 

Com a chegada de Raymond-Henry Chevallier (1900-1959) à fábrica Boch Frères, onde, a partir de 1937, sucedeu a  Charles Catteau (1880-1966) na direcção artística, o design da diversa produção cerâmica passou a apresentar características bem diferenciadas das do seu antecessor.

 

Os dois exemplos de bandejas que aqui se reproduzem exemplificam algumas dessas alterações, nomeadamente quanto ao desaparecimento do craquelé como fundo decorativo preferencial do vidrado e à predominância do dourado como elemento essencial ao conjunto.

 

Nesta decoração, em particular, note-se ainda a evocação das civilizações orientais pré-clássicas, através do ser alado cujas asas remetem claramente para os apêndices da representação iconográfica de Aura-Mazda.

 

 

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Maio 25 2009

 

Durante o período Art Déco, o design da fábrica Boch Frères para os exemplares monocromáticos manteve uma característica predominante das peças cloisonné – a utilização do fundo craquelé.

 

Manteve ainda algumas características que remetiam para o aspecto clássico das peças orientais, como a forma (ilustrada acima) e a utilização de duas cores evocativas dessa influência – o azul celeste e o amarelo imperial.

 

 

No entanto, a diversificação das formas manteve inequívoca sintonia com o modernismo, como se verifica nos exemplos acima, em que o design apresenta flores estilizadas em relevo, sob o vidrado, e abaixo, onde a forma remete claramente para o geometrismo da Bauhaus e também para algumas das formas que certos historiadores de arte identificam, particularmente na variante norte-americana do estilo Art Déco, com a influência das civilizações e culturas pré-colombianas.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 23:14

Maio 18 2009

Jarra Art Déco da fábrica Boch Frères, Bélgica, produzida cerca de 1927.

 

Tendo começado  a produzir cerâmica em 1748, em França, François Boch implantou uma fábrica no Luxemburgo, a partir de 1767. No século seguinte, em 1836, essa fábrica fundiu-se com uma outra de Nicolas Villeroy, dando origem à empresa Villeroy & Boch.  Afectada pela separação política e administrativa entre o Luxemburgo e a Bélgica, parte da família Boch implantou uma fábrica neste último país a partir de 1841. O local escolhido foi La Louvière, próximo da fronteira com o Luxemburgo, onde a fábrica se manteve até ao seu encerramento, já na segunda metade do século XX.

 

O nome Boch passou, assim, a ser partilhado por duas empresas – a fábrica Boch Frères / Keramis, na Bélgica, e a fábrica Villeroy & Boch, no Luxemburgo. Esta última empresa ainda se encontra em produção, embora a sua sede actual seja na Alemanha (http://www.villeroy-boch.com/).

 

Jarra Art Déco da fábrica Boch Frères, Bélgica, produzida cerca de 1927.

 

A fábrica Boch Frères produziu ao longo do século XIX, com sucesso comercial,  diversa loiça utilitária e decorativa, mas foi a partir do início do século XX, com a chegada de Charles Catteau (1880-1966), que a empresa atingiu a consagração, marcando o design contemporâneo no estilo Art Nouveau e, particularmente, no estilo Art Déco.

 

A produção de cerâmica decorativa diversificou-se então, quer no formato das peças quer na sua decoração, para acompanhar a época. Entre outras opções estéticas e técnicas, as peças passaram a apresentar desenhos pintados  a esmalte sob vidrado uniforme, esmalte escorrido sob o vidrado, esmalte mate com fundo negro (a exemplo da cerâmica holandesa Gouda), esmalte monocromático com fundo craquelé e, o que constituiu imagem de marca da fábrica durante o período Art Déco, esmalte cloisonné sobre fundo craquelé, representando animais ou flores estilizadas, a que correspondem os três exemplares reproduzidos.

 

Jarra Art Déco da fábrica Boch Frères, Bélgica, produzida cerca de 1938.

 

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publicado por blogdaruanove às 17:22

Maio 11 2009

Jarra Arts & Crafts da fábrica Rookwood, E.U.A., datada de 1916.

 

O craquelé é uma característica da cerâmica em faiança vidrada que indicia envelhecimento das peças.

 

Este aspecto estalado da superfície cerâmica deve-se à reacção desigual da pasta de faiança e do vidrado às subtis dilatações e contracções, causadas pelas variações térmicas e atmosféricas, que o corpo cerâmico vai sofrendo ao longo da sua existência. No entanto, tal reacção não se verifica nem na pasta de grés nem na pasta de porcelana.

 

O aspecto estalado do vidrado, mate ou brilhante, pode contudo ser induzido artificialmente. Durante o período Art Déco, evocando o glamour das antigas peças orientais, várias fábricas recorreram a esse processo com intenções decorativas, sendo algumas das mais conhecidas as fábricas Longwy, em França, e Boch Frères / Keramis, na Bélgica.

 

Este exemplar Rookwood evidencia um craquelé que se foi desenvolvendo ao longo das décadas, enquanto o exemplar BFK ilustra um craquelé intencional, de origem, que foi sublinhado pela inclusão de um líquido escurecido nas fracturas do vidrado.

 

Jarra Art Déco da fábrica Boch Frères, Bélgica, produzida cerca de 1924.

Design de Charles Catteau (1880-1966).

 

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Março 02 2009

Taça em cerâmica, com decoração a esmalte policromado e ouro, produzida na fábrica Longwy, França.

Década de 1920 ou 1930.

 

A designação Art Déco surgiu e consolidou-se ao longo da década de 1960, considerando os historiadores de arte ser a Exposition des Arts Décoratifs de Paris, em 1925, a exposição que consagra a viragem do estilo Arte Nova para o estilo Art Déco, cuja designação resulta precisamente da abreviatura Arts Décoratifs.

 

O estilo Art Déco veio consagrar uma estilização floral que abandonava muita da ostensivamente exagerada curvilinearidade do estilo Arte Nova, em favor de uma estilização que ora geometrizava as flores ora as tornava mais abstractas, tendendo a aumentar as suas dimensões relativas.

 

Como se pode observar nas peças cerâmicas aqui reproduzidas, o estilo não abandonava totalmente as influências orientalizantes, o que se torna mais evidente na peça de Charles Catteau, a qual, para além de evocar  o craquelé típico das antigas peças de cerâmica oriental, também visível na peça de Longwy, evoca ainda, inequivocamente, o glamour do amarelo imperial.

 

Cigarreira em prata, de punção portuguesa, com a seguinte inscrição no interior: "(...) / Oferta da / Ourivesaria da Guia / 1932".

 

O tratamento geometrizante da Arte Nova de Charles R. Mackintosh (1868-1938) e da Wiener Werkstätte veio a ser repensado e depurado através dos mestres e discípulos da Bauhaus, surgindo então peças decorativas que aliavam materiais inovadores, como a baquelite, o alumínio e o ferro cromado, a outros metais e minerais considerados nobres.

 

Pendente em platina, com esmeraldas e brilhantes, de punção portuguesa anterior a 1938.

 

O contributo português para este movimento passou essencialmente pelo modernismo da arquitectura, mas é também visível em várias peças de joalharia que, contudo não deixam de fazer concessão a influências de séculos anteriores.

 

Este aspecto é particularmente visível no lacinho do pendente aqui reproduzido, inserido numa figura que geometriza e evoca claramente uma flor de papiro. Pormenor que poderá remeter para toda a influência decorrente da descoberta do túmulo e das riquezas de Tuthankamon. (Veja-se ilustração de inspiração similar em: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/15108.html.)

 

Sublinhe-se, contudo, que, a nível internacional, o reconhecimento maior foi atingido pelos escultores Canto da Maia (1890-1981) e João da Silva (1880-1960; cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/85920.html), os quais também viram muitas das suas criações transpostas para cerâmica, bem como pelo arquitecto e designer de interiores, de origem austríaca, Franz Torka (1888-1953), que emigrou para Portugal no final da década de 1920 e colaborou durante vários anos com a Casa Alcobia.

 

 

Jarra em cerâmica, com decoração a esmalte policromado desenhada por Charles Catteau (1880-1966), produzida na fábrica Boch Frères- Keramis, Bélgica. Cerca de 1923.

 

Para mais alguns apontamentos sobre Art Déco, poderá consultar: http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/15977.html e http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/15831.html.

 

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