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Outubro 07 2009

 

Helena Marques (n. 1935), Terceiras Pessoas (1998).

 

 

Desenvolvendo uma narrativa que continua  a voz e o universo feminino de romances anteriores, Helena Marques retrata desta vez  um conjunto de personagens que convergem para um mundo rural onde quase desapareceram, ou se diluíram, os laços de parentesco entre família, cedendo lugar a laços de afectividade e afinidade.

 

Se em Cais de Pedra (1992), a mulher do século XIX era o contraponto sedentário ao nomadismo masculino, aqui, com a personagem Natália,  a mulher do final do século XX surge como o contraponto a essa passividade feminina, a essa submissão à casa e à família, transformando-se num alter ego feminino de Ulisses.

 

Deslocando-se entre as várias cidades e os vários países para onde  a sua profissão a leva, Natália desloca-se para fora de uma sujeição feminina de séculos, viajando à procura de si própria e à procura daquilo que, afinal, apenas se encontra no interior de cada um de nós.

 

A natureza da família, da sua coesão e da sua desintegração, é uma das questões principais da narrativa. Consanguinidade, afectividade e afinidades entrecruzam-se, aproximam-se e afastam-se ao longo do enredo, na demanda daquilo que poderá contribuir para estabelecer uma nova definição dos laços de família no mundo contemporâneo.

 

Deste romance transcrevem-se dois parágrafos:

 

"Há horas, como esta, feitas para o silêncio, pensa Sofia, seria insuportável se o João Bernardo quisesse conversar agora, falar dos filhos ou do concerto de Brahms que nos chega da sala, mas o João Bernardo nunca o faria, ele sabe usar o silêncio como um laço, uma cumplicidade, uma fronteira que define o nosso espaço. Sem surpresa, num aconchego de pele e espírito, sente o abraço dele a guardá-la e logo tudo fica sereno e certo, o quarto crescente no céu de Maio, a casa no círculo das faias, eles dois juntos naquele acaso que a trouxera até ali, até à Casa da Azenha, até a este homem que logo a quisera, que ela logo quisera, e que, contudo, não precisa dela – nunca precisará realmente dela.

 

Compreende, então, a razão dos seus vagos mas persistentes temores e apercebe-se de que uma das expressões mais viscerais do amor-próprio reside na obsessiva necessidade de ser tudo para alguém, não basta saber-se amado e desejado, é preciso saber-se imprescindível, insubstituível, pão, oxigénio e vida. E João Bernardo não precisa dela, amá-la-á enquanto estiver por perto mas nunca a reterá se quiser partir, como não reteve Natália, terá alguma saudade, por certo, alguma nostalgia das suas noites, dos passeios ao longo do rio, das emoções e dos risos, mas nada abalará profundamente nem o seu corpo nem a sua alma, nada voltará a abalá-los. E no entanto sente-se amada e satisfeita no jogo de liberdades e afastamentos que partilham desde o primeiro dia."

 

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Outubro 06 2009

 

Evocação de Amália Rodrigues (1920-1999), no décimo aniversário da sua morte.

 

Bilhete postal autografado, contemporâneo da actuação no Olympia, Paris, em 1988. No verso, um carimbo da Association des Paralysés de France.

 

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Setembro 23 2009

 

Luís Cardoso (n. 1958), Requiem para o Navegador Solitário (2007).

 

 

Representante da literatura pós-colonial de Timor-Leste em língua portuguesa, Luís Cardoso é certamente o mais conhecido e internacional dos autores timorenses contemporâneos. Antes do presente volume, publicara já Crónica de uma Travessia (1997), Olhos de Coruja, Olhos de Gato Bravo (2002), e A Última Morte do Coronel Santiago (2003).

 

Neste romance, começando por evocar Ruy Cinatti (1915-1986), poeta que consagrou grande parte da sua obra à memória e ao imaginário de Timor, o autor oferece-nos uma narrativa situada nas décadas de 1930 e 1940, época que culminou com a ocupação japonesa do território.

 

Desenvolvendo em volta da personagem principal, Catarina, uma visão particular de Timor, Luís Cardoso dá-nos conta de um improvável universo autocrático feminino afirmando-se na sociedade e na hieraquia masculina da região.

 

A par disto, faz-nos um retrato da convivência multilinguística na ilha e da subestimada importância da mestiçagem, através da própria protagonista e de outras personagens que orbitam à sua volta, como aquelas provenientes da Índia ou de Cabo Verde.

 

Do romance transcrevem-se duas breves passagens:

 

"Recusei tal oferta. Ela insistiu que Esmeralda, sendo filha de Alberto Sacramento Monteiro e eu, a noiva do pai, era como se fosse minha filha. Teve uma pequena hesitação ao escolher a palavra exacta para definir a minha condição, dado que Alberto Sacramento Monteiro era casado e tinha filhos, estatuto que escondeu dos meus pais. Na altura da sua visita ninguém quis saber se seria casado, se teria mulher e filhos. Quanto à minha condição, não me preocupei nada com isso. Eu era tida como a nona do capitão do porto. Nona em língua malaia significa senhora. Uma forma muito peculiar de dar o dito por não dito. Embora toda a gente soubesse qual a condição exacta. Era a mulher que ficava no cais a abanar o leque à espera do seguinte, depois de ter dado uns retoques na maquilhagem por causa de uma lágrima furtiva que se soltou aquando da partida do anterior."

 

 

 

"Kuroki fez saber ao capitão do porto, que quando os japoneses entrassem em Timor, teria muito gosto em ver Sir Lawrence a cantar o hino japonês. Achava que a sua voz rouca e melancólica se coadunava mais com uma canção oriental.

 

Mas quem levantava a âncora era ele, Alain Gerbault, o navegador solitário, que já tinha participado numa guerra e sabia como aquilo fora duro. Travara batalhas no ar e a sua vida tinha estado por um fio. Talvez fosse essa uma das razões que o fez buscar a paz do mar, longe do rebuliço e da ansiedade das grandes capitais onde se fabricam todas as guerras.

 

A sua respiração foi diminuindo, o coração ainda batia, mas lentamente. Num último esforço quis ver o sol para se orientar, mas já não tinha forças para abrir os olhos. Ainda tentei forçar-lhe a vista para me ver. Fiz-lhe a minha pergunta indiscreta

 

– Encontrou o que procurava?

 

e vi um leve sorriso atravessado nos seus lábios.

 

Um sorriso branco como o de um anjo. Chegado à terra do sol nascente tinha terminado a sua viagem. Há muito que andava em perseguição desse disco de oiro. Soltou uma prece

 

– Enterre-me no Mar, Catarina, enterre-me no Mar."

 

 

Edição brasileira, sem data, de O Navegador Solitário. Uma vez que não se refere o título do original, supõe-se que seja a tradução de L'Evangile du Soleil (1933), título que surge no último capítulo deste livro.

 

Alain Gerbault (1893-1941) efectuou uma viagem solitária de circum-navegação no navio Firecrest, entre 1923 e 1929. Na década seguinte regressou ao Pacífico, tendo acabado por falecer de febre tropical em Díli, Timor-Leste, a 16 de Dezembro de 1941.

 

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Setembro 09 2009

 

Helena Marques (n. 1935), O Último Cais (1992; 2.ª edição, 1993).

 

 

Os Açores tinham o seu grande romance desde 1944, ano em que foi publicado Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio (1901-1978). A partir de 1992, com O Último Cais, a Madeira passou também a ter o seu grande romance.

 

Os vários prémios atribuídos à obra dizem dos méritos que a crítica encontrou. Mas só a leitura do romance permite apreender o ritmo singelo da narrativa, o fascínio daquelas personagens e os amores que se evolam desta ode à Madeira.

 

Um romance do feminino e um romance que só a sensibilidade feminina poderia escrever. Um romance sobre as mulheres, ao ritmo das mulheres, em sintonia com as inquietações das mulheres. Um romance de uma tal beleza e serenidade narrativa que sobre ele apetece exclamar – Ave Maria, gratia plena!

 

É, também, um romance que anuncia parte da demanda do livro seguinte da autora, A Deusa Sentada (cf. http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/376638.html), obra cujo enredo decorre, parcialmente, em Malta. Mas este último é, contudo, um romance completamente ofuscado pelo primeiro.

 

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Setembro 02 2009

 

Rodrigues Guedes de Carvalho (n. 1963), Mulher em Branco (2006).

 

 

Jornalista, escritor e argumentista de cinema, Rodrigo Guedes de Carvalho publicou dois outros romances, para além deste – Daqui a Nada (1992) e A Casa Quieta (2005).

 

No romance Mulher em Branco somos colocados perante um discurso narrativo fragmentário que alterna entre o antes e o agora com uma multiplicidade de diálogos, monólogos e pensamentos que se aproximam do ritmo do zapping televisivo.

 

A amnésia da personagem que dá título ao romance serve de pretexto para uma abordagem do relacionamento em famílias disfuncionais e para uma visão das relações afectivas na sociedade actual.

 

Do romance transcreve-se uma breve passagem:

 

"Escuta, cala-te, foi sem querer, vai bardamerda, não pensei, pensasses, não sei o que é, eu sei, então é o quê, és um filho da puta, não se manda nos sentimentos, era preciso teres sentimentos, nem sei se me apaixonei, não quero saber, acho que queres senão não estávamos aqui com isto, e nós agora, mas qual nós, mataste-nos, nunca mais, não escolhi, cala-te, cala-te

 

Um vendaval de pedras que atiramos cada vez mais depressa, com mais força, a querer acertar e a querer falhar ao mesmo tempo.

 

Sai, Paulo. É sábado. Toma café, compra o jornal. Fuma. Olha a roupa que trazes. Esquece as palavras. São doutro reino. Um coração não as decifra. Bate mais depressa ou mais devagar. É um bicho. E não ouve."

 

 

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publicado por blogdaruanove às 19:52

Agosto 26 2009

 

Manuel da Silva Ramos (n. 1947), Os Três Seios de Novélia (1969; presente edição, 2008).

 

 

Novela com uma trintena de páginas, Os Três Seios de Novélia surge como um discurso sobre a ficção e a literatura, em forma de um monólogo de narrador que se metamorfoseia em diálogo com a personagem Novélia – ela própria literatura, leit-motiv  e criação literária em si mesma.

 

Dispersando a sua fragmentação narrativa por diversas ruas de Lisboa, evocativas de escritores e da República, e cafés, evocativos de Biarritz e de Londres, a novela desloca-se assim no espaço e no tempo.

 

Pequeno texto onde curtas passagens são muito mais apelativas do que longos parágrafos de outras obras, compreende-se que esta novela tenha recebido (ex-aequo com Um Dia São Dias, de Marta de Lima [pseudónimo de Zulmira Pires de Lima Castilho, n. 1914]) o prémio de novelística Almeida Garrett de 1968 pela frescura e inovação narrativa que trouxe à literatura de então.

 

Depois de uma década sem publicar qualquer texto, Manuel da Silva Ramos lançou em co-autoria o romance Os Lusíadas (1977), só voltando a publicar novamente quase duas décadas mais tarde. O romance Beijinhos saíu em 1996, ano em que também foi co-autor de As Noites Brancas do Papa Negro. Seguiram-se as obras O Tanatoperador e Adeusamália, ambas editadas em 1999, Viagem com Branco no Bolso (2000),  Jesus: The Last Adventure of Franz Kafka (2002), Café Montalto (2003), Ambulância (2006) e O Sol da Meia-noite, seguido de Contos para a Juventude (2007).

 

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publicado por blogdaruanove às 13:49

Agosto 12 2009

 

Ana Luísa Amaral (n. 1956), Entre Dois Rios e Outras Noites (2007).

 

 

Professora universitária, Ana Luísa Amaral deixa transparecer a actividade intelectual ligada a essa profissão em muita da sua poesia, onde surgem diversas alusões a outras literaturas, a outros autores e a um universo que sincreticamente conjuga alusões mitológicas e alusões bíblicas.

 

Referiu o notável ensaísta e crítico literário canadiano Northrop Frye (1912-1991) que a Bíblia era um substrato fundamental para autores e leitores da literatura ocidental. A obra de Ana Luísa Amaral não se torna criptográfica se não conhecermos a Bíblia, mas em muitas das suas passagens o leitor beneficiará de uma leitura mais rica se estiver familiarizado com a mesma.

 

Aliás, a directa alusão na capa do presente volume ao poeta e ilustrador William Blake (1757-1827), cuja obra Frye usou para ilustrar a sua teoria, mostra que a autora está perfeitamente consciente disso.

 

Apesar de toda a contextualização intelectual da sua poesia, Ana Luísa Amaral consegue transmitir-nos a singularidade da sua mensagem poética como se estivesse a tratar da "simplicidade das coisas simples" do quotidiano. E a leveza que consegue transmitir aos seus textos, contrastando com a profundidade das suas emoções e das suas mensagens, mostra-nos que estamos perante uma das mais notáveis poetisas portuguesas contemporâneas.

 

Antes deste livro, a autora publicara já Minha Senhora de Quê (1990), Coisas de Partir (1993), Epopeias (1994), E Muitos os Caminhos (1995), Às Vezes o Paraíso (1998), Imagens (2000), Imagias (2002), A Arte de Ser Tigre (2003), A Génese do Amor (2005) e Poesia Reunida: 1990-2005 (2005), todos volumes de poesia, e as obras de literatura para a infância Gaspar, o Dedo Diferente e Outras Histórias (1999) e A História da Aranha Leopoldina (2000).

 

Ainda em 2007 recebeu o prémio literário Correntes d'Escritas, em Portugal, e o prémio de poesia Giuseppe Acerbi, em Itália.

 

De Apontamentos Desiguais, uma das secções deste volume, transcreve-se  o Apontamento VII:

 

   A esta hora

   há poucos dias era um outro lado,

   outra voz a meu lado

 

   Quantas arestas temos,

   quantos cantos,

   quantas formas de amar?

 

   Reversíveis numa geometria

   que amedronta,

   a base do avesso quantas vezes

 

   Exaltava, se quisesse:

   esta montanha de contos de fadas

   e bocados de neve

 

   Exaltava se quisesse

   e o coração assim

   mo permitisse

 

 

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publicado por blogdaruanove às 17:14

Agosto 10 2009

 

Homenagem a Raul Solnado (1929-2009).

 

Bilhete postal, autografado, de propaganda à revista "Pois, Pois...", de 1967, onde Solnado desempenhou  mais um papel cómico de sucesso, o de Pinguinhas, um ébrio sóbrio...

 

 

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Julho 22 2009

 

Luís Forjaz Trigueiros (1915-2000), conto As Horas Extraordinárias ou A Inveja, no volume Os Sete Pecados Mortais (1966), com seis ilustrações de Nikias Skapinakis (n. 1931).

 

 

Autor de diversos ensaios sobre África e o Brasil, de muitas traduções e de inúmeros textos de crítica literária, Luís Forjaz Trigueiros iniciou a publicação da sua obra ficcional com o livro de contos Caminho sem Luz (1936).

 

Seguiram-se-lhe, Ainda Há Estrelas no Céu (1943), Boa Noite, Pai (1956), Ventos e Marés (1967), Monólogo em Éfeso (1972), O Carro do Feno (1974), Um Jardim em Londres (1987).

 

De permeio, escreveu vários textos de crítica dramatúrgica, que reuniu no volume Páteo das Comédias: Dois Anos de Crónicas de Teatro (1947), os já referidos ensaios e diversos textos relacionados com a sua vida de Académico. Já na década de oitenta, publicou o volume É Fácil Amar Lisboa (1989), conjunto de textos complementados com fotografia de Nuno Calvet  (n. 1932).

 

No conto As Horas Extraordinárias ou A Inveja, Luís Forjaz Trigueiros  apresenta-nos uma narrativa límpida, onde a trama principal se entretece com evocações do passado e outras inserções narrativas, e a natural fluidez do conto é pontuada, subtilmente, com leves notas de humor e ironia. Desenrolando-se numa localidade fabril da margem sul do Tejo, a narrativa coloca-nos perante o ridículo, que roça a insanidade, do coleccionismo obsessivo como forma de manter uma competição entre o director, Cirilo Arruda, e o dono de uma fábrica, o Engenheiro Robalo, competitividade secreta que este último ignora.

 

Deste conto transcreve-se um parágrafo:

 

" A minha intimidade com Cirilo Arruda, essa, consolidou-se quando um dia me vi forçado a comunicar-lhe que um dos volumes do "Diário do Governo" estava truncado. Faltava um exemplar da 2.ª série e eu notara-o, por acaso, ao procurar um dos números desse ano. Embora não quisesse comprometer o meu antecessor, que aliás não conhecia, achei útil dizê-lo, para se completar devidamente a colecção. Cirilo Arruda olhou-me como se eu tivesse ido anunciar-lhe que haviam rebentado as comportas de uma barragem ou que se descobrira um desfalque na Tesouraria. Mas sobretudo lhe fez impressão que eu tivesse dado pela falta: "Você é um homem providencial! Como é que deu por isso?" Senti que nesse dia subira muitos pontos na sua consideração e, de facto, passado semanas, duma das raras vezes que, enquanto estive na fábrica, me cruzei no corredor com o Engenheiro Robalo, este, embora me visse apressado, fez-me parar e disse-me: "Lá soube do bom serviço que prestou outro dia, aquilo do "Diário do Governo". Ficamos-lhe muito gratos".

 

Ilustração de Nikias Skapinakis.

 

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publicado por blogdaruanove às 22:14

Julho 15 2009

 

 

José Marmelo e Silva (1911-1991; sobre a data de nascimento, ver: http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/16821.html), Adolescente (1948; nas edições posteriores, Adolescente Agrilhoado).

 

 

Autor periodicamente recuperado por alguns críticos e alvo do interesse pontual de alguns escritores (recordo ter encontrado Maria Alberta Menéres [n. 1930] há alguns anos atrás, num alfarrabista, procurando as suas esgotadíssimas edições, e esta em particular), Marmelo e Silva produziu textos que ora se aproximam do movimento presencista, com o qual colaborou, ora do movimento neorealista.

 

Tendo iniciado o seu esparso mas coerente, e sólido, percurso editorial com a obra Sedução (1938; cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/16821.html), Marmelo e Silva veio a publicar em seguida Depoimento (1939, na revista Presença; 1945, em colectânea; 2000 em edição singular), O Sonho e a Aventura (1943), a presente novela,  Conversa Entre Plátanos (1960), O Ser e o Ter (1968),  Anquilose (1971) e Desnudez Uivante (1983).

 

Desenvolvendo uma literatura marcada pelas problemáticas da adolescência – as inquietações, as inseguranças da sexualidade, o confronto entre o eu e a sociedade, o autor marcou desde logo o seu estilo com a novela Sedução.

 

Nesta obra, evocando o que de melhor se encontra na análise psicofisiológica desenvolvida em algumas personagens de Abel Botelho (1854-1917), Marmelo e Silva evita a maçada dos parágrafos pseudocientíficos da obra deste, oferecendo-nos um relato indirecto mas desassombrado da homossexualidade feminina entrevista pelo olhar confuso de um adolescente enamorado.

 

Já em Adolescente, o autor acrescenta às perplexidades da adolescência o conflito interior causado pelos condicionalismos da educação religiosa e o sofrimento provocado pelo sentimento de culpa, antecipando uma temática que Vergílio Ferreira (1916-1996) abordaria posteriormente em Manhã Submersa (1954).

 

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