Rua Onze . Blog

Janeiro 13 2010

 

Com todo o fôlego e de olhos bem abertos, mergulho nas profundezas. Ultrapasso a viscosidade fluvial dos limos e as águas turvas de lodo. Já no mar, sinto  o emaranhado de algas que há-de levar sal e salsugem às areias da costa.

 

Percebo que as proas dos navios apontam sempre para outro lado e as quilhas dos pequenos barcos me ignoram. Vejo nas águas o refulgir prateado dos relâmpagos que me cercam e entontecem, e sinto a minha lentidão. Oiço o barulho das aves que é levado pelo vento e não ecoa em terra.

 

Mergulho no mar alto, obstinadamente, descendo uma e outra vez, mais e mais, em busca de um vórtice. Mantenho os olhos serenamente abertos, enquanto me afogo em silêncio. E percebo, enfim, que todas as embarcações andam à deriva e só eu tenho um rumo.

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 01:54
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