Rua Onze . Blog

Abril 10 2009

 

As ruas que conseguia distinguir de sua casa haviam desaparecido. Eram agora um conjunto vivo de linhas onduladas e estonteantes, saindo de corpos comprimidos, soltando sons desencontrados. Os diálogos pareciam solitários monólogos perdidos entre a neblina que saía de todas aquelas bocas. Estava a ficar frio. Voltou a ter arrepios. Nunca sentira frio nas ruas de Macau, nem mesmo em Janeiro, quando as noites haviam chegado a ter temperaturas negativas.

 

Olhava atónito para o hálito translúcido e apressado que acompanhava cada frase. Não se arrepiava por causa do frio. Arrepiava-se por todos aqueles sons que lhe causavam estranheza. Parecia ter esquecido todas as frases e todas as palavras aprendidas até ali. Aquelas pessoas falavam agora de coisas de que nunca falavam ao longo do ano. Perdida a linha familiar das ruas, só os aromas lhe diziam que sim, que aquela era a mesma cidade que ele julgava conhecer.

 

Parou, encostando-se às colunas de S. Domingos. O trajecto entre sua casa e a loja de Tchang era curto, mas nunca lhe parecera tão longo. Parara porque necessitava de se preparar. Não sabia o que poderia esperar daquela celebração. Tchang e Liang, que lhe pareciam tão familiares, poderiam parecer-lhe tão estranhos como estranhas lhe pareciam agora as ruas e a cidade.

 

Inquietou-se. Levou as mãos aos bolsos, verificando os pequenos presentes. Ficou inseguro. Sentir-se-iam insultados por eles? Imaginava o seu ar constrangido e embaraçado quando duas figurinhas se aproximaram, ondulando entre a multidão. Faziam lentas e respeitosas vénias, sorrindo levemente. Ao fundo, atrás delas, estava Tchang, também sorridente. Aguardavam-no, já. À porta de casa, em sinal de cerimonioso respeito.

 

Então ele, um estranho, um estrangeiro naquela cultura, endireitou-se e dirigiu-se, também sorridente, em direcção a Tchang, enquanto as frágeis figurinhas iam abrindo caminho. Pareciam ter a dignidade de duas pequenas esculturas animadas, duas esculturinhas Fu, saídas de alguma grande casa senhorial. 

 

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publicado por blogdaruanove às 23:58

Abril 10 2009

 

Figueira da Foz – Praia.

Bilhete postal circulado da Figueira da Foz para Lisboa, em Agosto de 1939.

Emissão de editor não identificado.

 

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publicado por blogdaruanove às 19:00

Abril 10 2009

Grande jarra com vidrado cristalino, mate e brilhante. Década de 1920 ou 1930.

 

Originalmente estabelecida em 1814, com a designação de Hill Pottery, no estado de New Jersey, Estados Unidos, a fábrica apenas adoptou a designação Fulper depois do falecimento do seu fundador, Samuel Hill (?-1858), e da sua subsequente venda.

Adquirida por um dos trabalhadores, Abraham Fulper (1815-1881), a empresa passou a adoptar a designação Fulper já na década de 1860. Embora mantivesse a designação, a partir de 1935 a fábrica passou a produzir material e design Stangl, o apelido de um funcionário (Johann Martin Stangl, 1888-1972) admitido em 1910 que entretanto se tornara vice-presidente a partir de 1924 e seu proprietário a partir de 1929. A fábrica Stangl acabou por cessar a sua produção em 1978, quando foi adquirida pela empresa Pfaltzgraf.

A produção artística da fábrica Fulper começou na viragem para o século XX, tendo registado grande sucesso até à década de 1930. Recentemente, vários coleccionadores e comerciantes têm vindo a resgatar a memória do design e da qualidade dos vidrados, sublinhando particularmente a mestria da sua componente cristalina.

A jarra ilustrada exemplifica as variantes de vidrado microcristalino, mate e brilhante, que se podem encontrar numa só peça e o sentido escultórico da produção Fulper, que vagueou entre os estilos Arts & Crafts, Art Nouveau e Art Déco.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 17:41

Abril 10 2009

 

Bilhete postal do início do século XX.

Edição de NPG (?), Alemanha.

 

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publicado por blogdaruanove às 14:15

Abril 10 2009

 

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publicado por blogdaruanove às 00:17

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