Rua Onze . Blog

Julho 22 2009

 

"Recebi hoje a tua carta de 25 de Out.º. Cerca d'aquella data terás recebido um postal meu, no qual te manifestava os meus cuidados por ti e Familia. Ha dias, tinha a certeza de que nada soffreram, senão o susto, com que me consolei.

 

O que se passou nos primeiros dias de Outubro foi effectivamente assustador. Imagino as tuas afflicções, e explico muito bem os incommodos de tua Esposa, de minha Irmã, etc. Mas agora é preciso encherem-se de boa vontade, reagirem contra o mal dos nervos e entrarem na vida normal. A gente de Lisboa é muito piegas, convem não seguirem o exemplo. Essas pieguices é que levaram sobre tudo o paiz á desgraça em que se encontrou.

 

Sabes que a Monarchia estava podre, perdida sem remedio. Veio naturalmente a Republica e devemos esperar d'ella alguma coisa boa para o nosso pobre paiz. O que é preciso é que todos se compenetrem dos seus deveres civicos e que todos trabalhem para o bem commum. Faze tu por teu lado o que poderes, anima-te, não penses mais no zunido das balas que passaram pelo teu telhado.

 

(...)

 

Sabes alguma coisa do Moreira de Sá, Carlos Campos, Carvalhosa (2.º Commandante do Corpo de Marinheiros)? Do Eça tambem não tenho noticias, mas creio que nada soffreu nem sofferá nos seus interesses. Está bem?"

 

Excerto de uma carta endereçada a seu sobrinho Joaquim Adriano de Moraes Costa (datas desconhecidas), enviada de Kobe e datada de 15 de Novembro de 1910.

 

© Rua Onze . Blog 

publicado por blogdaruanove às 16:00

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...
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