Rua Onze . Blog

Maio 08 2009

Cigarreira em madeira torneada e marfim, da década de 1930.

Moçambique (?), via Angola.

 

Embora predomine a ideia de que, nas antigas colónias portuguesas, a produção de artesano africano para consumo urbano apenas atingiu grandes proporções nas décadas de 1960 e 1970, a verdade é que essa produção já era significativa nas décadas de 1920 e 1930.

 

O interesse manifestado por escultores e pintores modernistas, entre estes particularmente os cubistas, pela arte africana levou a uma intensa procura destes objectos no início do século XX.

 

Com o advento da era do Jazz este interesse consolidou-se, passando diversos objectos de artes decorativas e de uso quotidiano a serem produzidos, total ou parcialmente, em África para o consumo de europeus e norte-americanos.

 

O estilo Art Déco recorreu com frequência a esta fonte de matérias-primas provenientes das colónias africanas administradas por países europeus, desenvolvendo diversas peças que incluíam madeiras exóticas, marfim, ovos de avestruz, peles de cobra, crocodilo, girafa, leopardo, tubarão e zebra, num crescendo que atingiu o seu auge durante as inúmeras exposições coloniais da década de 1930.

 

As peças mais acessíveis e populares eram, contudo, aquelas que apresentavam madeiras exóticas trabalhadas em torno mecânico, com frequente inclusão de marfim.

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 23:41

Caro MAFLS,

Dedicando-nos hoje a outras pesquisas, deparámo-nos com este seu antigo post. Trata-se de uma linda peça moçambicana, dos torneiros da Zambézia, cuja mestria e modelos, transmitidos e perpetuados de geração em geração, na mesma família, vem, pelo menos, desde o século XVII. Esta arte do torno, um sincretismo dos gostos europeu, industânico e islâmico, era cultivada, sobretudo, nas pequenas "cortes" das donas de prazo da Zambézia e nos meios eclesiásticos estabelecidos na região. Embora muitas das peças nos remetam hoje para um universo feminino, eram igualmente utilizadas por homens.
A modernidade de alguns modelos pode, por vezes, induzir em erro e levar a estabelecer relações menos correctas. Possuímos na nossa colecção várias formas "art déco" de, pelo menos, início de Novecentos.
Cumprimentos.
AM-JMV
Antonio Miranda a 23 de Novembro de 2016 às 19:13

Boa tarde, AM-JMV, bem-vindos de volta!

Agradeço a vossa opinião e eventual rectificação sobre a origem desta peça.

O facto comprovado é que a mesma chegou à casa de família dos proprietários no ano de 1932, proveniente de Angola. Embora tenha estado noutras partes do então Império Colonial Português, nunca esse antepassado da família esteve em Moçambique, tendo sempre chegado ao Índico pelo Canal do Suez.

De qualquer modo, este não é um argumento decisivo, até porque o seu acervo integra peças que serão originárias da então Guiné Portuguesa, onde também nunca esteve, salvo, eventualmente, em escala (o que não está confirmado).

Para assinalar a vossa hipótese, a legenda será reescrita como "Moçambique (?), via Angola".

Saudações.
blogdaruanove a 29 de Novembro de 2016 às 14:50

Aki ó-matsu Hito ó-mayowasu Momiji-kana!...
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