Rua Onze . Blog

Maio 06 2009

 

Antunes da Silva (1921-1997), Canções do Vento (1957).

 

 

Essencialmente consagrado como prosador, Antunes da Silva (cf. http://blogdaruaonze.blogs.sapo.pt/15899.html) desenvolveu também uma obra lírica no contexto do movimento neo-realista. Publicou em 1952 Esta Terra que é Nossa: Poemas e quarenta anos depois Breve Antologia Poética. De permeio, saíu esta separata do Cancioneiro Geral, intitulada Canções do Vento.

 

Deste volume transcreve-se um breve poema sem qualquer conotação neo-realista, Primavera, e um outro, Terceira Cantiga, claramente ligado à contestação social e política característica desse movimento literário:

 

PRIMAVERA

 

A Primavera nasceu

Enfeitada pelo sono das plantas

E o sussurro das fontes,

Onde as abelhas foram flores

A poisarem nas estrelas dos horizontes.

 

Oiço a Primavera no vento,

Entre azinhagas e montes.

 

 

TERCEIRA CANTIGA

 

Ao Alves Redol

 

Passei no Tejo à noitinha

E vi o Tejo calado.

Trago um barco de papel

Para o deitar no mar salgado.

Quando o barco se romper,

Deito no Tejo uma estrela.

E a estrela branca lá fica

E nunca mais torno a vê-la...

Que nas águas deste rio

Parte gente pró degredo...

O povo vive e não morre,

Mesmo cercado de medo!

 

© Rua Onze . Blog

publicado por blogdaruanove às 14:46

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